Crusoé: Por que a AfD foi considerada de extrema direita na Alemanha
Em 2024, a AfD conquistou a segunda maior bancada no Parlamento alemão, com 152 representantes
O Gabinete Federal para Proteção da Constituição da Alemanha (BfV, na sigla em alemão), classificou a sigla Alternativa para a Alemanha (AfD) como uma “organização extremista de direita confirmada” devido à “natureza extremista de todo o partido, que desrespeita a dignidade humana”.
Em comunicado, a agência de inteligência interna citou o Tribunal Administrativo de Colônia e o Tribunal Administrativo Superior da Renânia do Norte-Vestfália, que confirmaram a classificação do partido como “caso suspeito” em julgamentos de março de 2022 e maio de 2024, respectivamente.
Após um exame “intensivo e abrangente” sobre a AfD, o gabinete federal concluiu:
“A compreensão do povo baseada na origem étnica que prevalece no partido não é compatível com a ordem básica democrática livre. Ela visa excluir certos grupos populacionais da participação igualitária na sociedade, submetê-los a um tratamento desigual inconstitucional e, assim, atribuir-lhes um status legalmente desvalorizado. Especificamente, a AfD, por exemplo, não considera cidadãos alemães com histórico de migração de países predominantemente muçulmanos como membros iguais do povo alemão, conforme definido etnicamente pelo partido.
Essa compreensão excludente do povo é o ponto de partida e a base ideológica para uma agitação contínua contra certos indivíduos ou grupos de pessoas, com a qual eles são geralmente difamados e desprezados, e medos irracionais e rejeição deles são despertados. Isso se reflete nas inúmeras declarações xenófobas, antiminorias, anti-islâmicas e anti-muçulmanas feitas continuamente por altos funcionários do partido.
Em particular, a agitação contínua contra refugiados e migrantes promove a disseminação e o aprofundamento de preconceitos, ressentimentos e medos em relação a esse grupo de pessoas. A desvalorização dos grupos de pessoas acima mencionados também se reflete na utilização generalizada de termos como ‘migrantes de faca’ ou na atribuição geral de uma tendência etnoculturalmente condicionada para a violência por parte de membros destacados da AfD.”
Segundo o jornal Der Spiegel, a classificação como extremista reduz os obstáculos para o monitoramento do partido com os meios de inteligência, permitindo observar reuniões, grampear telefones e recrutar informantes.
Em 2024, a AfD conquistou a segunda maior bancada no Parlamento alemão, com 152 representantes.
O que define a extrema direita
Como mostrou Crusoé, a classificação mais aceita atualmente no meio acadêmico é a que foi esquematizada pelo cientista político holandês Cas Mudde, da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos…
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