Crusoé: Na mira de Trump
Lula e Bolsonaro chamam a atenção do caótico presidente americano, e quem pode acabar pagando a conta é o Brasil. E mais: Mamdani e o silêncio dos especialistas
A diplomacia brasileira celebrou durante meses o desinteresse de Donald Trump em relação ao Brasil. O alívio durou até quarta-feira, 9 de julho, quando o presidente americano anunciou a imposição de tarifas adicionais de 50% aos produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
A carta endereçada por Trump a Lula para informar a decisão foi sendo elaborada em público pelo presidente americano. Na noite de domingo, 6, o republicano publicou em sua rede social, Truth Social, uma mensagem para dizer que “qualquer país que se alinhar com as políticas antiamericanas do Brics terá de pagar uma Tarifa ADICIONAL de 10%”.
Horas antes, o Brics, protagonizado por China, Rússia, Índia, Brasil e África do Sul, tinha publicado a declaração final da cúpula realizada no Rio de Janeiro, sob organização do governo Lula. O documento reproduziu os costumeiros desafios do grupo aos Estados Unidos.
Na terça-feira, 8, Trump escreveu em público a outra parte da carta que endereçaria a Lula no dia seguinte. Com menção a Jair Bolsonaro, o republicano informou a Lula sobre a imposição de “tarifa de 50% sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de todas as tarifas setoriais existentes”.
Lula não deveria ter qualquer influência sobre o julgamento de Bolsonaro, assim como Trump não deveria ter qualquer influência sobre os julgamentos da Suprema Corte americana. A menção do republicano ao ex-presidente, julgado por tentativa de golpe de Estado, parece apenas, portanto, parte de um jogo retórico para justificar a imposição das tarifas, dizem Rodolfo Borges e Wilson Lima em “Na mira de Trump”, a reportagem de capa da edição desta semana de Crusoé.
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Colunistas
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Nesta edição, escrevem Catarina Rochamonte (Lula e a política tribal), Dennys Xavier (A famigerada carta de Trump), Leonardo Barreto (Lula, Trump e a história), Roberto Reis (PT já ensaia ser oposição), Orlando Tosetto Júnior (O que é o tal IOF), Márcio Coimbra (Aposta insensata), Jerônimo Teixeira (Leo Lins é indefensável), Josias Teófilo (Distorções cinematográficas), Gustavo Nogy (Na dúvida, censura) e Rodolfo Borges (A piada infinita).
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Comentários (2)
Fabio B
11.07.2025 09:56O Lula agora tem duas opções: ou recua e se humilha pessoalmente e publicamente diante do Trump, no mesmo estilo constrangedor que o Zelensky foi forçado, ou entrega de vez o país à China enquanto finge uma pose de estadista soberano. Não é difícil adivinhar qual caminho ele vai escolher.
Fabio B
11.07.2025 09:39O Brasil em crise interna há décadas, sem rumo ou perspectiva de progresso, e esse bêbado retardado fica viajando aos quatro cantos do mundo dando pitaco de como as outras nações deveriam se comportar, palpitando sobre conflitos internacionais que não tem a mínima noção, e sobretudo repetindo narrativas antiamericanas em vassalagem à China. E de fato, o último encontro do BRICS, onde esse bufão forçou a barra em desafiar a hegemonia dos Estados Unidos, atitude que nem a China ousou foi a gota d'agua. A situação do Brasil é agora bastante humilhante, e o risco de sermos usados como exemplo perante o resto dos países alinhados ao BRICS é enorme, eu diria inevitável.