Crusoé: Brasil assume embaixada mexicana no Peru
Itamaraty assume missão mexicana em Lima com permissão peruana depois de crise que começou com asilo a ex-primeira-ministra Betssy Chávez
O Brasil assumiu na tarde de domingo a representação dos interesses diplomáticos do México no Peru, em meio a uma crise que tem durado meses e envolvido asilo político, discordâncias entre os governos e um rompimento raro entre países da América Latina.
A decisão foi anunciada pelo Itamaraty em nota oficial em que se informa que a ação foi feita a pedido do governo mexicano e com anuência das autoridades peruanas, conforme a convenção de Viena sobre relações diplomáticas.
A partir de agora, o Brasil passa a cuidar das instalações da embaixada mexicana em Lima, incluindo a residência do chefe de missão, bens materiais e arquivos deixados pelos diplomatas que saíram após o rompimento.
A crise começou em novembro, quando o Peru cortou relações com o México depois que o governo mexicano concedeu asilo à ex-primeira-ministra peruana Betssy Chávez, que estava refugiada na embaixada mexicana em Lima.
Chávez, ligada ao governo do ex-presidente Pedro Castillo e condenada por rebelião, buscou proteção contra a detenção no país, o que levou o Congresso peruano a declarar a presidente mexicana persona non grata e a acusar o México de interferir em assuntos internos.
Com a retirada dos diplomatas mexicanos, o Brasil foi escolhido como terceiro país para representar os interesses de México no Peru, em uma prática comum em crises diplomáticas em que dois Estados deixam de se relacionar diretamente.
A bandeira brasileira já foi hasteada na sede da missão diplomática em Lima. Apesar disso, a atuação brasileira não inclui funções consulares ou comerciais, que continuam limitadas pela situação atual entre os países.
Ao longo desse período, tanto o México quanto o Peru reiteraram suas posições, sem chegarem a um entendimento. O governo mexicano defendeu que a concessão de asilo a Chávez foi um ato legítimo e dentro do direito internacional, enquanto as autoridades peruanas viram a ação como inadequada por se tratar de uma pessoa condenada por crime comum e não um perseguido político, além de manterem vigília policial em torno da embaixada onde Chávez permanece.
A escolha do Brasil para assumir provisoriamente a embaixada de um terceiro país na região não é inédita…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)