Corina e Edmundo dizem que não serão “obstáculo” à transição na Venezuela
Manifesto divulgado no X lista como prioridades a recuperação das instituições democráticas, a libertação de presos políticos e a realização de eleições
A líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado e o presidente eleito Edmundo González divulgaram no domingo, 26, um comunicado conjunto afirmando que seu grupo não será um “obstáculo” a nenhuma iniciativa que promova um “progresso real” na transição democrática da Venezuela.
“Nós não seremos obstáculos a nenhuma iniciativa que produza avanços reais”, diz trecho.
No comunicado, Corina e Edmundo também apresentam as condições que consideram essenciais para a transição no país.
“A recuperação das instituições democráticas, a liberação de todos os presos políticos, garantias reais para todos os atores sem exclusões, um cronograma eleitoral presidencial oportuno e o pleno respeito à soberania popular”, afirma.
As reivindicações fazem parte das negociações, previstas para começar em 1º de agosto, entre a Assembleia Nacional eleita em 2015 e o Parlamento controlado pelo chavismo.
A Assembleia Nacional de 2015 é um termo que classifica a oposição ao chavismo, já que nas eleições parlamentares daquele ano, obteve maioria, mas em seguida o então ditador Nicolás Maduro iniciou uma série de manobras para retirar seu poder.
“Membros da Assembleia Nacional de 2015 e representantes do regime anunciaram a criação de um mecanismo entre as duas partes; não participamos de sua concepção, estruturação ou operação e, portanto, não nos cabe explicar seu escopo ou suas decisões. Os responsáveis por essa iniciativa devem informar ao país quais são seus objetivos, métodos e cronograma”, escreveram.
EUA contra Corina?
No início do mês, Corina afirmou estar disposta a agir por conta própria para conseguir retornar ao seu país, do qual está afastada desde o fim de 2025.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz disse estar atualmente no Panamá, impedida de embarcar rumo à Venezuela.
Segundo María Corina, o governo venezuelano teria fechado o espaço aéreo do país justamente para impedir sua volta. “Eles ameaçaram aqueles que querem facilitar meu retorno”, disse a dirigente na gravação, sem detalhar quem seriam os responsáveis pelas ameaças mencionadas.
Na mesma publicação, a opositora reforçou disposição para contornar os obstáculos relatados. “Neste momento, estou disposta a fazer o que for necessário, falar com quem for preciso”, declarou, referindo-se à possibilidade de voltar a pisar em seu país.
O pedido provocou resposta do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que evitou apoiar publicamente o movimento da opositora. Segundo um porta-voz do órgão, “acrescentar questões políticas sensíveis à situação neste momento é contraproducente” para os esforços de resposta à tragédia provocada pelos terremotos no país.
A saída de María Corina da Venezuela, no fim de 2025, ocorreu por meio de uma operação militar organizada pelos próprios Estados Unidos, que viabilizou sua viagem a Oslo para receber o Nobel. Na ocasião, ela presenteou o presidente americano, Donald Trump, com uma réplica emoldurada da premiação.
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