Como um pequeno país pós-soviético se tornou o mais digital do mundo
O país báltico que emergiu da queda da União Soviética para se tornar líder global em tecnologia e empreendedorismo
A Estônia é hoje considerada o país mais digital do mundo, e ostenta a maior densidade de startups per capita – uma para cada 866 habitantes, superando em cinco vezes a dos EUA. O país báltico, com pouco mais de 1,3 milhão de habitantes, emergiu da queda da União Soviética em 1991 para se tornar um líder global em tecnologia e empreendedorismo.
Essa rápida transformação impulsionou seu PIB per capita de US$ 1.100 em 1993 para US$ 30 mil em 30 anos. Para efeito de comparação, o Brasil, que era mais rico inicialmente, cresceu menos de três vezes no mesmo período. Este salto é resultado de decisões estratégicas focadas na digitalização e na atração de talentos e negócios.
Portas abertas aos “nômades digitais”
A digitalização na Estônia é abrangente, com 99% dos serviços públicos disponíveis online. Cidadãos podem votar, pagar impostos, assinar contratos e abrir empresas remotamente desde 2007.
Um pilar dessa estratégia é o programa e-Residency, lançado em 2014, que permite que qualquer pessoa no mundo se torne uma “residente digital” e abra uma empresa europeia à distância.
O programa oferece acesso digital seguro a serviços públicos e um ambiente de negócios transparente, permitindo gerenciar empresas, fazer contratos, emitir notas fiscais e acessar serviços bancários digitais europeus.
A e-Residency não concede residência física, cidadania ou visto, mas “você pode então abrir e gerenciar empresas 100% online, fazer contratos, emitir notas fiscais e acessar serviços bancários europeus digitais (…), enviar declarações fiscais e lidar com burocracias empresariais via internet e ter acesso ao mercado da União Europeia, com credibilidade e facilidades tributárias estonianas”.
O país também possui o Startup Visa, criado em 2017 para atrair fundadores de startups de fora da UE, permitindo-lhes morar e operar seus negócios em seu ambiente digital avançado. Esse ambiente favoreceu o surgimento de dez “unicórnios”, incluindo Wise, Bolt e Veriff. A Wise, por exemplo, destaca que o ambiente de negócios amigável e as portas abertas na Europa foram fundamentais para seu sucesso global.
Educação como base da inovação
Segundo Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, a receita do sucesso estoniano passa pela educação. Em 1996, o país tomou a decisão audaciosa de incorporar a internet em todas as escolas até 1997.
A lógica por trás dessa medida, explicada pela ministra da Educação Kristina Kallas, era preparar os estudantes para a vida, já que a internet seria central para ela. Essa visão precoce rendeu frutos, levando ao surgimento de programas de sucesso global como o KaZaA e o Skype, criados pelo programador Ahti Heinla.
Hoje, a Estônia já oferece inteligência artificial nas escolas, concedendo acesso irrestrito ao ChatGPT a professores e alunos, em um acordo com a OpenAI.
Essa abordagem educacional proativa, combinada com a privatização de estatais e um sistema tributário simples (20% para pessoas e empresas, sem imposto sobre lucro reinvestido), criou o ecossistema fértil que permitiu ao país se reerguer e se destacar no cenário global.
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Comentários (2)
Sergio De Senna
13.05.2025 12:05Vocês estão cada vez mais distantes do jornalismo sério; já perdi a paciência de clicar para continuar a reportagem na Crusoé e encontrar poucas linhas a mais. Agora vocês aderiram à moda dos "teasers" que já tanto criticaram; param a frase suspensa no ar por reticências ao invés de irem ao assunto, passaram a se dedicar a fofocas de novelas, vidas de celebridades e pouca análise séria de fatos. Deve render mais dinheiro, mas, para mim, gera menos credibilidade. Tenho procurado alternativas, mas todas seguem essa senda maldita; continuo procurando, ainda há de existir jornalismo mais sério do que esse que vocês ora propõem. Boa tarde
MARCOS
12.05.2025 20:12NÃO SE PODE COMPARAR A ESTÔNIA COM O BRASIL. A ESTÔNIA É UM PAÍS SÉRIO, SEM LADRÕES.