Como militares ucranianos reagiram à postura de Donald Trump?
Enquanto arriscam suas vidas, seu aliado mais importante até o momento, os EUA, os decepciona: soldados ucranianos contam como se sentem diante da traição que Donald Trump está fazendo com eles
Três anos após o início da invasão russa, a Ucrânia está cada vez mais abandonada à própria sorte.
Após o escândalo histórico na última sexta-feira, 28 de fevereiro, na Casa Branca entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, mais ajuda militar dos EUA para o país atacado se tornou uma perspectiva distante.
Alguns militares ucranianos descreveram para o jornal alemão Der Tagesspiegel o que acontece com eles quando seu aliado mais importante os abandona de repente.
Yuri Swirko, oficial e especialista em logística e equipamentos:
“Estou decepcionado porque fomos criados para acreditar que os Estados Unidos lideram o mundo democrático livre. Agora é uma vergonha ver valores fundamentais evaporarem e a diplomacia dar lugar ao comércio cínico de bazar”
Ao mesmo tempo, não posso dizer que estou surpreso. Nunca tive a impressão de que os governos anteriores ou atuais dos EUA realmente quisessem ajudar a Ucrânia a vencer. Só recebemos ajuda militar suficiente dos Estados Unidos — e também da Europa — para nos manter vivos.
Agora as coisas provavelmente ficarão ainda mais difíceis para nós. Cortar a ajuda dos EUA resultaria em destruição ainda maior de nossas cidades e infraestrutura crítica. Acredito que a primeira coisa a ser afetada será a defesa aérea”.
Serhij, comandante de unidade de drones:
Serhij revelou como as notícias recentes impactaram seu moral:
“Na frente de batalha, não temos muito tempo para reações emocionais, mas confesso que fiquei decepcionado com o ocorrido na Casa Branca”, disse ele.
O comandante destacou a dependência das forças ucranianas em relação ao armamento americano, incluindo munições e veículos blindados. Ele alertou que qualquer perda do sistema de satélites Starlink seria crítica para as operações no campo de batalha.
Tetjana Tschornowol, comandante de sistema antitanque:
Tchornowol compartilhou sua indignação após os comentários de Trump sobre o fim do conflito sem armamentos americanos:
“É desrespeitoso ignorar as contribuições ucranianas para nossas vitórias. Nossa sobrevivência inicial não se deveu a armamentos estrangeiros, mas à determinação do nosso povo”, afirmou.
Olexander Piddubnyj, major das forças armadas ucranianas:
Piddubnyj, por sua vez, ofereceu uma análise crítica da mentalidade comercial de Trump. “Ele pensa como um empresário; suas decisões são guiadas pelo lucro. Isso torna mais difícil para a Ucrânia competir por atenção e recursos frente às ofertas russas”, observou.
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Comentários (1)
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
03.03.2025 11:45OA continua com sua dualidade. Uma reportagem aparentemente a favor da Ucrânia somente com impressões pessimistas e negativas. Já as manifestações na Inglaterra e EUA desse final de semana, nada...