Como funcionam os “Navios Fantasmas” da Marinha que podem atravessar oceanos inteiros sem uma única pessoa a bordo
Ghost Fleet Overlord é um programa da Marinha dos Estados Unidos para converter navios comerciais em grandes navios de superfície não tripulados
Ghost Fleet Overlord é um programa da Marinha dos Estados Unidos para converter navios comerciais em grandes navios de superfície não tripulados, chamados LUSVs, com alto grau de autonomia e foco em baixo risco humano em missões de alto perigo.
O que é o programa Ghost Fleet Overlord?
Ghost Fleet Overlord é um esforço do Departamento de Defesa dos EUA e da Marinha para transformar cascos comerciais em plataformas navais autônomas. O programa é conduzido pelo Strategic Capabilities Office, voltado a soluções de rápida aplicação operacional.
Em vez de projetar navios do zero, a iniciativa converte embarcações de apoio rápido do mercado civil em USVs. Isso reduz custos, acelera cronogramas e concentra o desenvolvimento em autonomia, comunicações seguras, integração de combate e ciberproteção.
USV Ranger – Strategic Capabilities Office's Ghost Fleet Overlord Large Unmanned Surface Vessel (LUSV) leaving San Diego – January 27, 2022. #usvranger #ghostfleetoverlord
— WarshipCam (@WarshipCam) January 28, 2022
* video courtesy of @cjr1321 pic.twitter.com/oSWlgbdQom
Como foi desenvolvido o programa Ghost Fleet Overlord?
Na primeira fase, dois navios comerciais foram convertidos: Ranger (OUSV 1) e Nomad (OUSV 2). As equipes integraram sistemas de navegação autônoma, atualizaram cascos, máquinas e sistemas elétricos e validaram requisitos de segurança e prevenção de colisões.
A segunda fase ampliou a duração das missões e a interoperabilidade com meios tripulados. Ranger e Nomad realizaram travessias de milhares de milhas, incluindo o Canal do Panamá em modo majoritariamente autônomo, com controle humano apenas em trechos críticos.
Como operam os LUSVs Ghost Fleet Overlord?
Os LUSVs do programa operam em modelo semi-autônomo, com operadores sempre “no circuito”. A navegação e a gestão de cargas úteis são automatizadas, mas a supervisão humana permanece obrigatória, sobretudo em decisões de uso de força.
O fluxo básico de operação segue etapas claras, apoiado por sensores e algoritmos de decisão. Abaixo, estão as funções principais desse ciclo de comando e controle:
Radares e câmeras identificam alvos, obstáculos e condições do mar em tempo real.
Algoritmos de IA propõem manobras evasivas e rotas otimizadas para cumprir a missão.
Operadores humanos monitoram o sistema à distância, mantendo a palavra final sobre o uso de força.
Sistemas de comunicação criptografados e virtualização de combate (como o Aegis) garantem a defesa.
Quais são as principais características dos navios Ghost Fleet Overlord?
Os LUSVs têm entre 60 e 90 metros e até cerca de 2.000 toneladas de deslocamento, com grande capacidade de combustível e longa permanência no mar. São plataformas relativamente baratas, pensadas para receber diferentes “payloads” modulares.
Esses módulos incluem sensores de vigilância, sistemas de comando e controle e armamentos. Alguns modelos podem empregar lançadores verticais com 16 a 32 células, permitindo mísseis antinavio, ataque terrestre e apoio de fogo a grupos-tarefa navais.
🇺🇸 US trials USV, part of 'Ghost Fleet Overlord’ programme, recently traveled more than 4,700 nautical miles almost entirely autonomously.
— Navy Lookout (@NavyLookout) January 21, 2021
Then participated in exercise 'Dawn Blitz’
(Nice understated names 🤭)https://t.co/l3skmVa6YJ pic.twitter.com/K4U0ATJpVq
Como o Mariner e o Vanguard aprimoram o Ghost Fleet Overlord?
Entre os quatro navios, o Mariner (OUSV 4) se destaca por integrar navegação autônoma avançada e uma versão virtualizada do sistema de combate Aegis. Isso permite testar o LUSV como nó de defesa aérea e de superfície em redes navais existentes.
Ranger, Nomad, Vanguard e Mariner são apoiados por empresas como Austal USA, L3Harris, Leidos e Lockheed Martin. A transferência das primeiras unidades à Marinha em 2022 e novos testes até 2026 devem orientar futuras gerações de navios de superfície não tripulados.
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