Clarita Maia na Crusoé: Assembleia Geral da ONU e Durban – distorção e silêncio
Na mesma semana, foram produzidas duas imagens de Israel
Na manhã de 24 de setembro, ao ser anunciado o discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral da ONU, dezenas de diplomatas caminharam rumo às saídas.
Em minutos, as fotografias do plenário semivazio estavam em todas as telas, com uma legenda e uma cantilena prontas: Israel, enfim, convertido em pária.
Quatro dias depois, no mesmo edifício, a ONU celebrou os 25 anos da Conferência de Durban contra o racismo. Desta vez, 45 governos, um recorde, deixaram a sala vazia, por motivos diametralmente opostos.
Recusaram-se a comemorar um encontro lembrado menos pelo que prometeu do que pela onda de antissemitismo de 2001. Essa ausência não rendeu fotografias ou manchetes.
Entre as duas cenas, há uma lição sobre como se fabrica a percepção pública.
Sob tensão
O debate geral da 81ª sessão começou sob tensão. A guerra em Gaza, que, segundo autoridades de saúde do Hamas, já deixou mais de 73 mil mortos desde os ataques terroristas e genocidas de 7 de outubro de 2023, segue sem desfecho.
Os números não distinguem civis de combatentes e são contestados por seu uso político.
Desde fevereiro, Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã.
Na Europa, governos antes limitados a notas de preocupação passaram a sancionar assentamentos na Cisjordânia. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, barrado pelo governo Trump, falou por vídeo.
Nesse ambiente, Netanyahu…
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