Cientistas encontram açúcar em asteroide da Nasa
Amostras trazidas pela missão OSIRIS-REx, da NASA, vêm sendo analisadas desde que chegaram ao planeta, revelando compostos orgânicos complexos
O estudo do asteroide Bennu vem abrindo novas frentes de pesquisa sobre a formação do Sistema Solar primitivo e sobre a origem dos ingredientes que sustentam a vida na Terra.
Amostras trazidas pela missão OSIRIS-REx, da NASA, vêm sendo analisadas desde que chegaram ao planeta, revelando compostos orgânicos complexos, vestígios de antigas explosões estelares e estruturas químicas que ajudam a reconstruir a história do material que deu origem aos planetas.
Origem da vida e os açúcares encontrados em Bennu
Um dos achados mais discutidos nas amostras do asteroide Bennu é a presença de açúcares essenciais à vida, como a ribose e a glicose.
A ribose, um açúcar de cinco carbonos, participa da estrutura do RNA, enquanto a glicose, com seis carbonos, é um dos principais combustíveis energéticos usados por seres vivos na Terra, reforçando a hipótese de síntese de blocos biológicos no espaço.
Além dos açúcares, análises anteriores já haviam apontado a presença de aminoácidos, nucleobases e ácidos carboxílicos, todos relacionados à química da vida.
A ausência de determinados açúcares, como a desoxirribose, em contraste com a presença marcante da ribose, é usada para discutir cenários em que moléculas de RNA poderiam ter desempenhado papel central nas primeiras formas de química pré-biótica.
A Nasa destrinchou um pouco da pesquisa em um de seus perfis no X (antigo Twitter):
BREAKING: Sugars essential for life have been found in pristine asteroid Bennu samples collected by NASA’s OSIRIS-REx spacecraft. Combined with previous detections of amino acids and nucleobases, we see that life’s ingredients were widespread throughout the solar system:… pic.twitter.com/l4Rz9Tbq5C
— NASA Solar System (@NASASolarSystem) December 2, 2025
Asteroide Bennu e a substância conhecida como “goma espacial”
Outro resultado que vem chamando atenção é a identificação de um material com comportamento semelhante a uma goma ou plástico flexível, nunca antes observado em amostras de rochas espaciais.
Trata-se de uma substância formada por cadeias poliméricas ricas em nitrogênio e oxigênio, possivelmente associadas a processos químicos que ocorreram quando o corpo ancestral de Bennu ainda estava aquecendo nos primórdios do Sistema Solar.
Esse material orgânico de aparência “borrachosa” foi encontrado aderido a grãos de minerais e gelo antigos, sugerindo que se formou em camadas conforme novas moléculas eram depositadas.
Durante os experimentos, os pesquisadores observaram que a substância podia se deformar, tornava-se frágil após exposição à radiação e lembrava o comportamento de certos polímeros industriais, ilustrando o nível de complexidade química já presente em pequenos corpos do Sistema Solar.
O cientista Daniel Glavin explicou, no canal oficial da Nasa no Youtube, uma parte dos experimentos e da missão:
Importância de Bennu para entender a origem dos planetas
A relevância científica do asteroide Bennu está ligada ao seu caráter primitivo e ao modo como foi amostrado, em condições altamente controladas. Por ser um objeto rico em carbono e pouco alterado desde sua formação, ele mantém registros químicos e minerais de fases muito antigas do Sistema Solar.
As pesquisas com Bennu ajudam a montar cenários de como ingredientes básicos para a vida foram produzidos, preservados e transportados por pequenos corpos rochosos. Entre os aspectos mais investigados, destacam-se:
- A distribuição de açúcares, aminoácidos e nucleobases em diferentes grãos do asteroide.
- A formação de polímeros ricos em nitrogênio e estruturas semelhantes a “goma espacial”.
- A preservação de grãos présolares oriundos de supernovas em regiões pouco alteradas.
- O papel de água e fluidos na transformação dos minerais e da matéria orgânica primitiva.
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