Cientista espanhol estuda a crosta terrestre e descobre que a Península Ibérica gira no sentido horário
O solo sob Portugal e Espanha se move, e isso muda tudo.
A Península Ibérica gira no sentido horário, e isso não vem de ficção científica, mas de um estudo publicado em 2026 na revista Gondwana Research. O movimento é imperceptível no cotidiano, mas muda como os cientistas entendem por que terremotos surgem em locais que pareciam completamente tranquilos.
Por que a Península Ibérica gira no sentido horário?
A resposta está na colisão entre as placas da tectônica de placas africana e eurasiática. O limite entre elas não é uma linha clara, mas uma zona difusa e irregular, especialmente no sul da Ibéria. Isso muda tudo sobre como a tensão se distribui no subsolo.
Essa fronteira confusa faz a crosta se dobrar, absorver tensão em alguns pontos e transferi-la em outros. O efeito final é uma torção lenta e gradual de toda a Península Ibérica, forçada a girar como uma engrenagem presa entre duas forças colossais que nunca param.
Os elementos centrais que explicam esse giro são:
- Colisão direta entre as placas africana e ibérica a oeste do Estreito de Gibraltar.
- O Domínio de Alborão, fragmento de crosta sob o Mediterrâneo que desliza para oeste.
- Fronteira difusa entre as placas, que distribui a tensão de forma assimétrica pela região.
- Pressão desigual nos lados leste e oeste do estreito, que produz o giro no sentido horário.
Confira os detalhes:
| Método | Dados analisados | O que revelou |
|---|---|---|
| Registros sísmicos | Mecanismos focais de terremotos | Direções de tensão no subsolo |
| GPS geológico (GNSS) | Deslocamentos em milímetros por ano | Rotação e deformação da crosta |
| Dados combinados | Sísmicos e geodésicos integrados | Rotação horária confirmada |
Como os cientistas conseguiram medir esse movimento da crosta?
A equipe liderada por Asier Madarieta, da Universidade do País Basco, combinou dois conjuntos de dados. O primeiro veio de registros sísmicos de milhares de pequenos terremotos, que revelam como a rocha se rompe em profundidade. O segundo veio de estações de GPS geológico espalhadas pela região.
Essas estações GNSS, uma versão de alta precisão do GPS comum, detectam deslocamentos de apenas alguns milímetros por ano, algo próximo ao ritmo de crescimento de uma unha. Parece pouco, mas em escala geológica é o suficiente para confirmar que a Ibéria está girando.
Os dois métodos, combinados, produziram este panorama:
O que a rotação da Ibéria revela sobre o risco sísmico?
Como não existe uma falha geológica única e bem definida na região, a energia tectônica se distribui por múltiplas estruturas menores, muitas enterradas em profundidade e invisíveis na superfície. Isso explica por que terremotos surgem em lugares que pareciam estáveis, sem nenhum histórico recente de atividade visível.
Pensa num sismólogo que monitorou por anos uma área marcada como segura no mapa de riscos. Um dia, um tremor surge exatamente ali, numa falha que ninguém havia catalogado. O estudo de 2026 existe para reduzir a chance exata disso acontecer no sudoeste da Europa.

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Esse giro muda algo na vida de quem mora em Portugal e Espanha?
Você provavelmente imagina o solo sob seus pés como algo fixo e permanente. Na realidade, a crosta terrestre nunca parou de se mover. O ritmo de 4 a 6 milímetros por ano medido na Ibéria é imperceptível, mas em escala geológica redefine o que existe abaixo das cidades.
A limitação real do estudo é clara: os dados precisos de satélite existem desde 1999, e os registros sísmicos de qualidade desde 1980. A tectônica de placas opera em milhões de anos. O que os cientistas capturam hoje é um fragmento dessa história, mas o mais nítido já obtido sobre a Ibéria.
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