Chatbots de IA espalham propaganda do Kremlin sobre a guerra na Ucrânia?
Pesquisadores enviaram dezenas de consultas a chatbots de IA. Dentre os chatbots analisados, o ChatGPT apresentou o maior número de citações de fontes russas
Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto para o Diálogo Estratégico (ISD) revelou que chatbots de inteligência artificial, ao responder a uma variedade de consultas, frequentemente recorrem a narrativas associadas à propaganda russa no contexto da guerra na Ucrânia.
A análise, divulgada pela revista americana “Wired”, sugere que a Rússia tem explorado lacunas informativas para disseminar desinformação.
Os pesquisadores conduziram um experimento no qual foram feitas 300 perguntas em cinco idiomas, incluindo o português, a diferentes chatbots como ChatGPT da OpenAI, Gemini do Google, Grok da xAI e DeepSeek.
De acordo com os dados obtidos, quase 25% das respostas referenciavam fontes ligadas ao Estado russo.
Dentre os chatbots analisados, o ChatGPT apresentou o maior número de citações de fontes russas e também se mostrou mais suscetível a influências de perguntas tendenciosas.
O Grok, que faz parte do portfólio de empresas de Elon Musk, foi identificado como frequentemente vinculando respostas a perfis em redes sociais que promovem as narrativas do Kremlin.
O DeepSeek, de origem chinesa, também foi mencionado por suas referências a fontes estatais russas.
Em contrapartida, o Gemini do Google se destacou por oferecer as respostas mais precisas e frequentemente emitir alertas sobre segurança.
A diversidade nas respostas dos chatbots variou conforme a natureza das perguntas apresentadas. Quando as consultas eram neutras, aproximadamente 10% das respostas proviam informações de fontes russas; já perguntas tendenciosas resultaram em 18% e aquelas de caráter malicioso chegaram a 25%.
Segundo “Wired”, as questões maliciosas buscavam reforçar uma opinião preexistente, enquanto as tendenciosas eram mais sugestivas.
A pesquisa destacou que os chatbots muitas vezes citavam meios de comunicação estatais russos como Sputnik e RT (Russia Today), além de websites associados a operações de informação da Rússia.
O ISD indicou que essas plataformas são diretamente controladas pelo governo russo e contribuem para propagar a agressão militar contra a Ucrânia e desestabilizar países vizinhos.
Desde o início do conflito ucraniano, tanto Sputnik quanto RT estão sob sanções da União Europeia, que justificou suas medidas ao afirmar que esses veículos alimentam a narrativa da agressão russa.
A descoberta de que populares chatbots na Europa utilizam informações dessas fontes sancionadas levanta questões sobre a ética na utilização desses dados e a necessidade de diretrizes claras para os desenvolvedores de IA.
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