Centro de tortura na Venezuela deve virar centro esportivo e cultural
El Helicoide funcionou como centro de detenção ligado ao serviço de inteligência do regime venezuelano
O governo interino da Venezuela anunciou o fechamento da prisão de El Helicoide, em Caracas, um dos principais símbolos do regime no país. O edifício, que por décadas funcionou como centro de detenção ligado ao serviço de inteligência, será desativado após mudanças recentes no comando político venezuelano.
A líder interina Delcy Rodríguez afirmou que o complexo deixará de operar como prisão e passará por um processo de requalificação.
“Centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e comunidades vizinhas”, disse durante discurso na sexta-feira, 30.
O que é El Helicoide?
Localizado no centro de Caracas, El Helicoide foi idealizado nos anos 1950 como um shopping center drive-thru, mas nunca chegou a funcionar.
Abandonado por décadas, o prédio foi transformado em quartel-general de órgãos de segurança nos anos 1980 e, posteriormente, em centro de detenção do Sebin.
Na década de 2010, o local passou a ser apontado por opositores do ditador Nicolás Maduro e por organizações de direitos humanos como o principal centro de tortura do país.
Em 2022, um relatório das Nações Unidas afirmou que detidos foram submetidos a tortura na unidade.
Ex-prisioneiros relatam condições degradantes de confinamento, com celas improvisadas, ausência de luz natural e superlotação, além de celas que não possuem ventilação adequada.
O ativista Rosmit Mantilla, que passou dois anos e meio preso, descreveu o espaço como “um inferno na terra”. Segundo ele, a rotina incluía desnutrição, pressão psicológica e refeições escassas.
Anistia
Delcy Rodríguez comunicou na sexta o envio de um projeto de lei de anistia geral à Assembleia Nacional.
O anúncio foi feito durante ato no Tribunal Superior de Justiça, com a previsão de que o texto seja discutido e aprovado pelos parlamentares nos próximos dias. A medida visa contemplar centenas de cidadãos que permanecem sob custódia do Estado por motivações políticas.
A proposta é anunciada cerca de um mês após a captura de Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, ocorrida em 3 de janeiro.
O novo dispositivo legal pretende extinguir as causas judiciais e as medidas cautelares que ainda recaem sobre os egressos do sistema prisional.
Atualmente, os indivíduos liberados enfrentam restrições como a proibição de deixar o país, o impedimento de conceder declarações públicas e dificuldades para o acesso ao emprego.
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