Bukele reage a críticas sobre reeleição indefinida em El Salvador
Líder salvadorenho nega que medida represente retrocesso democrático
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele (foto), reagiu neste domingo, 3, às críticas à recente reforma constitucional que permite a reeleição presidencial ilimitada no país.
Em publicação no X, o líder salvadorenho negou que a medida represente um retrocesso democrático e atribuiu as reações negativas ao tamanho e à condição econômica do país.
“Noventa por cento dos países desenvolvidos permitem a reeleição por tempo indeterminado de seu chefe de governo, e ninguém se incomoda. Mas quando um país pequeno e pobre como El Salvador tenta fazer o mesmo, de repente é o fim da democracia”, escreveu Bukele, em inglês.
Na mesma publicação, ele também se manifestou sobre os críticos que alegam diferenças entre sistemas parlamentares e presidenciais.
“Claro, se apressarão em apontar que ‘um sistema parlamentar não é o mesmo que um presidencial’, como se esse tecnicismo justificasse o duplo padrão. Mas sejamos sinceros, isso não é mais que um pretexto”, afirmou.
“Porque, se El Salvador se declarasse uma monarquia parlamentar com exatamente as mesmas regras do Reino Unido, da Espanha ou da Dinamarca, eles ainda assim não apoiariam. Na verdade, surtariam se isso acontecesse.
Por quê? Porque o problema não é o sistema, e sim o fato de um país pobre ousar agir como um país soberano.
Você não deveria fazer o que eles fazem. Você deveria fazer o que mandam. E esperam que você saiba o seu lugar.”
Concentração de poder
A Assembleia Legislativa de El Salvador aprovou, na última quinta-feira, 31, uma reforma constitucional que consolida a possibilidade de Bukele seguir no poder por tempo indeterminado.
Com apoio do partido governista Nuevas Ideas, que detém maioria esmagadora no Congresso, a medida amplia o mandato presidencial de cinco para seis anos, elimina o segundo turno das eleições e revoga trechos da Constituição de 1983 que proibiam a reeleição imediata.
A mudança, aprovada por 57 dos 60 deputados presentes, inclui ainda uma cláusula transitória que encurta o mandato de Bukele iniciado em 2024. Com isso, ele poderá disputar novo mandato já em 2027, ano em que as eleições presidenciais passarão a ocorrer junto às legislativas e municipais.
Bukele, que chegou ao poder em 2019 e foi reeleito em 2024 com 85% dos votos, já havia conseguido em 2021 uma decisão da Sala Constitucional que reverteu a proibição da reeleição imediata.
Com a nova reforma, sua permanência prolongada na presidência torna-se juridicamente respaldada.
Apesar das críticas e dos alertas sobre riscos à alternância de poder, Bukele segue com ampla popularidade, impulsionada por sua política de segurança pública que, desde 2022, reduziu drasticamente os índices de violência no país.
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