Bruno Soller na Crusoé: O heroísmo que nasce da ameaça
Como a busca por segurança pode transformar líderes desgastados em símbolos de proteção nacional
Em momentos de estabilidade, o eleitor costuma decidir seu voto a partir da economia, da qualidade de vida e da avaliação dos governos.
Mas, quando uma sociedade se sente ameaçada, a lógica eleitoral pode mudar.
A segurança nacional assume o protagonismo e a figura do governante passa a ser associada à capacidade de proteger o país.
Surge a imagem do líder forte, disposto a enfrentar os inimigos e preservar a existência da nação.
Foi parte dessa lógica que ajudou George W. Bush a conquistar a reeleição nos Estados Unidos, em 2004.
O presidente americano chegou à disputa carregando o desgaste da guerra do Iraque, mas também a imagem construída após os atentados de 11 de setembro de 2001.
O combate ao terrorismo tornou-se um dos principais temas da eleição. Segundo pesquisas de boca de urna, 86% dos eleitores que apontavam o terrorismo como sua principal preocupação votaram em Bush.
A percepção de firmeza diante das ameaças externas tornou-se um importante ativo eleitoral, apesar das críticas à condução de seu governo.
O heroísmo político, nesses casos, não nasce necessariamente da aprovação integral de uma administração. Surge da convicção de que, diante de um cenário de incertezas, a continuidade de uma liderança experiente pode representar maior segurança.
É justamente essa dinâmica que ajuda a compreender o momento político de Benjamin Netanyahu em Israel.
Durante anos, Netanyahu…
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