Bruno Soller na Crusoé: Hungria tenta se equilibrar
Com esquerda perdida, vitória deve ser da direita. Só não se sabe qual ainda
Berço de um dos principais Impérios da humanidade, o Austro-Húngaro, a Hungria tem peculiaridades que a diferem em absoluto de toda a Europa.
Seja por seu idioma, não indo-europeu, seja por sua população oriunda dos Montes Urais, na Ásia Central, que formou uma identidade única, a dos magyares, a Hungria também tem sido um ponto fora da curva na relação política da comunidade europeia.
Com um giro absoluto de 180 graus, o país saiu do comunismo para a ascensão da extrema-direita em menos de 20 anos.
Com a Revolução Húngara de 1956, o MSZMP governou o país por mais de três décadas, precisamente 33 anos.
Nem mesmo a queda do Muro de Berlim foi capaz de arrebatar o regime socialista, que retomou o poder cinco anos depois, com Gyula Horn, que outrora havia contribuído para o processo da abertura da “Cortina de Ferro”, ajudando na unificação das Alemanhas Ocidental e Oriental.
Essa segunda passagem da esquerda no poder, todavia, impactou diretamente na relação do eleitor húngaro com o seu governo.
Viktor Orbán, um líder do movimento reformista, que havia lutado pela saída das tropas soviéticas do país e que liderava a Aliança dos Jovens Democratas, berço do partido Fidesz, teve sua primeira experiencia, ainda nos anos 90, como primeiro-ministro, na chamada era da Terceira República.
Alguns movimentos, como a adesão do país a Otan, chamaram a atenção, mas não foram preponderantes para mantê-lo no cargo.
Deposto em 2002, após quatro anos de gestão, viu três primeiros-ministros governarem o país até sua volta triunfal.
Um deles, Ferenc Gyurcsány, militante comunista, aproveitou-se do trabalho feito pelo seu antecessor, que liderou um bloco socialista de governo, Peter Medgyessy, responsável pela entrada da Hungria na União Europeia (UE), na terceira fase de expansão do bloco, para estabelecer as primeiras relações do país nessa nova era.
Apoiados por um referendo popular e com forte apoio cívico, 84% dos húngaros…
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