Bruno Soller na Crusoé: A América primeiro. Mas qual América?
Derrota republicana revela distância entre a promessa de prosperidade e a realidade econômica dos americanos
A derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato não chega a ser uma surpresa histórica.
Nos Estados Unidos, perder cadeiras no Congresso durante o exercício da Presidência tornou-se quase uma regra.
O que deveria preocupar o presidente americano não é simplesmente a dimensão da derrota republicana, mas a geografia eleitoral que ela desenhou.
Quando estados profundamente conservadores, como Kansas e Texas, elegem democratas em disputas que há décadas pareciam reservadas aos republicanos, o problema deixa de ser apenas congressual e passa a ser político.
História
A história recente ajuda a compreender essa diferença.
Em 2002, George W. Bush conseguiu uma façanha que nenhum de seus sucessores repetiu: ampliou as bancadas republicanas tanto na Câmara quanto no Senado.
O país ainda vivia sob o impacto dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, e o presidente desfrutava de uma popularidade excepcional. O sentimento de unidade nacional favorecia a continuidade.
O contraste com Barack Obama é revelador. Em 2010, apenas dois anos depois de sua vitória presidencial, os democratas perderam 63 cadeiras na Câmara dos Representantes e outras seis no Senado.
Foi uma derrota monumental, que devolveu aos republicanos o controle da Câmara e impôs obstáculos ao governo. Ainda assim, Obama conseguiu se reeleger em 2012, derrotando Mitt Romney. Em 2014, já reeleito, sofreu outra derrota, desta vez perdendo também o controle do Senado.
A lição é relativamente simples…
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