Bombeiros de SP partem para resgate na Venezuela
Equipe paulista leva cães farejadores, médicos militares e estrutura própria para atuar em cidades atingidas por terremoto no país vizinho
Treze bombeiros militares de São Paulo, entre eles dois médicos, deixaram o estado nesta sexta-feira, 26, rumo à Venezuela, para auxiliar nas buscas por sobreviventes do terremoto que atingiu o país. O grupo leva ainda dois cães de busca e um representante da Defesa Civil estadual, somando-se a uma força-tarefa brasileira de 36 profissionais vindos também do Paraná e de Minas Gerais.
Operação planejada para não depender de recursos locais
A coordenadora da equipe paulista, major Daniela Santos Oliveira, afirmou que à Agência SP que a missão foi montada para não exigir nenhum tipo de suporte das autoridades venezuelanas: “Nós estamos indo como uma equipe de busca e salvamento urbano totalmente autossuficiente. Tudo o que estamos levando é para que não precisemos de absolutamente nada no local”.
Para isso, os profissionais transportam itens para montar uma base própria de operações, além de ferramentas voltadas à abertura de passagens em construções desabadas e à localização de pessoas presas sob escombros. A bagagem inclui também mantimentos, abrigo e equipamentos médicos.
A capitã Karoline Burunsizian, que atua como porta-voz da corporação, reforçou esse princípio de independência: “Não vamos depender de nenhum recurso daquele país e nem ser mais um problema para eles resolverem em meio a tantos desafios”.
Veteranos de outras tragédias integram o grupo
Parte da equipe já participou de operações internacionais anteriores. A major Daniela esteve em ações ligadas ao terremoto na Turquia, às enchentes no Rio Grande do Sul e ao rompimento da barragem em Brumadinho. Ela apontou que esse histórico moldou a forma como os agentes se preparam psicologicamente para cenários de calamidade.
A capitã médica Fabiana Maria Ajjar, do Comando de Aviação da Polícia Militar, também soma experiência em missões humanitárias dentro e fora do Brasil. Ela explicou que cada destino impõe desafios sanitários distintos: “Na Turquia enfrentamos frio intenso e doenças respiratórias. Agora estamos indo para uma região quente, com outros riscos epidemiológicos”.
Entre os integrantes caninos está Malina, pastor-belga-malinois de cinco anos especializada em localizar vítimas em estruturas colapsadas. O sargento Laercio Leres, condutor do animal e veterano da missão à Turquia em 2023, descreveu a função dos cães: “Eles conseguem eliminar áreas onde não há vítimas, delimitar regiões prioritárias e até indicar exatamente onde uma pessoa está”.
Segundo a Agência SP, Malina já havia localizado, em fevereiro deste ano, uma pessoa desaparecida em área de mata em Ribeirão Pires, após buscas anteriores sem sucesso de outras equipes.
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