Biotecnologia e IA reduzem dependência de testes em animais
Estratégias no Reino Unido e nos Estados Unidos estabelecem prazos para integrar órgãos em chips e simulações digitais na pesquisa científica
O governo britânico detalhou metas para substituir a experimentação animal em diversos campos da ciência. O cronograma prevê a suspensão de testes cutâneos até o fim do próximo ano. Procedimentos envolvendo camundongos para análises de Botox devem cessar até 2027.
Até o ano de 2030, a estratégia foca na redução do uso de primatas e cães em ensaios laboratoriais. Movimentos similares ocorrem na Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos e na Comissão Europeia.
Alternativas biológicas e simulações em chip
O progresso técnico permite a criação de órgãos em chips, que são miniaturas de sistemas humanos em compartimentos plásticos. Esses dispositivos recebem nutrientes para manter células vivas e funcionais. Cientistas já operam modelos de fígado, intestino e cérebro.
A FDA utilizou chips de pulmão para analisar o desempenho de imunizantes contra a covid-19. Outra frente envolve os organoides, que são agrupamentos celulares tridimensionais cultivados em laboratório. Estas estruturas possibilitam o estudo de patologias e a testagem de fármacos.
Inteligência artificial e eficácia laboratorial
A inteligência artificial auxilia pesquisadores na identificação de correlações entre material genético e enfermidades. Algoritmos também atuam no desenvolvimento de substâncias químicas. Gêmeos digitais de órgãos humanos servem como base para testagens virtuais.
No campo cirúrgico, corações digitais são empregados para orientar operações reais. A professora Natalia Trayanova explicou que seu sistema aponta regiões cardíacas para cauterização em tratamentos específicos. Segundo ela, a precisão do modelo exige segurança por parte dos médicos.
Trayanova disse que os profissionais de saúde “têm que confiar em nós”. Essa confiança em ferramentas computacionais cresce à medida que os dados biológicos se tornam mais acessíveis via software. A IA agiliza a interpretação de grandes bancos de dados.
A transição é impulsionada pela baixa taxa de sucesso de medicamentos testados em cobaias. Cerca de 95% dos tratamentos eficazes em animais falham ao serem aplicados em seres humanos. Tal índice gera questionamentos sobre a viabilidade econômica e científica do modelo tradicional.
Apesar do avanço das ferramentas digitais e sintéticas e dos protestos de grupos de defesa do bem-estar animal, a eliminação total de animais em 2030 é considerada incerta.
Órgãos reguladores internacionais ainda exigem protocolos biológicos para diversas aprovações. Nenhuma tecnologia atual replica integralmente a complexidade de um organismo vivo.
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