Ave que não era encontrada há mais de um século volta a aparecer no litoral e surpreende especialistas
Um registro costeiro oferece uma peça nova ao estudo das rotas de uma ave ameaçada, sem significar que sua situação esteja resolvida.
Em fevereiro de 2025, observadores da Malaysian Nature Society registraram uma rara ave marinha na baía de Bako-Buntal, em Sarawak, na Malásia. O encontro retomou os registros nacionais de uma espécie que não era confirmada no país desde 1913, embora existisse em outras regiões.
Onde a ave rara reapareceu em 2025?
A andorinha-do-mar-de-crista-chinesa, de nome científico Thalasseus bernsteini, foi observada perto de Asajaya, na costa de Sarawak. O registro ocorreu em fevereiro de 2025, durante monitoramento regular de aves migratórias na baía de Bako-Buntal. A espécie pertence à família Laridae, que reúne outras aves costeiras.
A equipe pertencia ao núcleo de Kuching da Malaysian Nature Society, parceira da BirdLife International. O encontro foi divulgado em julho de 2025 e acrescentou uma informação relevante às pesquisas sobre a circulação dessa ave marinha. Os observadores acompanhavam também outras aves aquáticas.

A espécie ficou desaparecida do mundo inteiro?
Não. O intervalo de 1913 a 2025 se refere à ausência de registros confirmados da espécie na Malásia. Ela já havia sido reencontrada em 2000 nas ilhas Matsu, próximas ao estreito de Taiwan.
A BirdLife documentou a observação malaia como retorno ao histórico nacional, não como descoberta de uma espécie globalmente extinta. Essa distinção evita ampliar indevidamente o significado dos 112 anos.
Como os observadores reconheceram a ave?
O exemplar apareceu entre cerca de dez a vinte andorinhas-do-mar-de-crista-grande, espécie visualmente parecida. O detalhe mais marcante era o bico de tonalidade clara com ponta escura, útil na identificação.
Como aves de crista semelhantes compartilham locais de descanso, uma observação rápida pode passar despercebida. Registros fotográficos e conhecimento taxonômico ajudam a separar a espécie rara das que aparecem com maior frequência na região.
A cronologia separa os registros locais e globais:
Quantos indivíduos ainda existem na natureza?
Na publicação de 2025, a BirdLife citou estimativa global entre 100 e 150 indivíduos, dentro de uma população inferior a duzentos. São estimativas de conservação, não contagem completa produzida no encontro de Sarawak.
A espécie permanece classificada como criticamente ameaçada de extinção. A avaliação considera sua raridade e vulnerabilidades, mas uma única observação na Malásia não permite concluir aumento populacional nem sucesso de recuperação em todo o território. Novas contagens podem alterar essa estimativa.
Os números se referem a aspectos distintos:
Por que o litoral de Sarawak é tão importante?
A baía de Bako-Buntal integra uma rota migratória do leste asiático à Australásia. A BirdLife informa que aproximadamente vinte a vinte e cinco mil aves aquáticas passam o inverno na região, evidenciando sua relevância ecológica.
Esses ambientes costeiros oferecem locais de alimentação e repouso. Alterações nos manguezais e zonas úmidas, perturbação humana e eventos climáticos podem reduzir sua qualidade. O registro de fevereiro reforça a necessidade de monitorar o uso da área.
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O reencontro indica recuperação completa da ave?
Ainda não. A observação ajuda a investigar rotas de migração e áreas de permanência, mas faltam levantamentos suficientes sobre a frequência de retorno a Sarawak. A proteção depende também de colônias reprodutivas em outras partes da Ásia.
A Convenção sobre Espécies Migratórias identifica Thalasseus bernsteini como criticamente ameaçada. O episódio de 2025 revelou uma área importante para estudos futuros, sem demonstrar que os riscos à espécie desapareceram.
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