Ave que não aparecia naquela região desde 1913 volta mais de um século depois e surpreende observadores durante monitoramento
A reaparição em Sarawak amplia o mapa de uma das aves marinhas mais raras da Ásia e reforça a importância dos monitoramentos costeiros.
Uma ave que não aparecia na região havia mais de um século voltou a ser registrada durante um monitoramento de aves migratórias. O encontro ocorreu em Sarawak, na Malásia, e envolveu o raro trinta-réis-chinês, espécie criticamente ameaçada.
Qual ave voltou a aparecer depois de mais de um século?
A espécie é o trinta-réis-chinês (Thalasseus bernsteini), uma das aves marinhas mais raras da Ásia. A BirdLife International confirmou que o registro ocorreu na costa de Asajaya, no estado malaio de Sarawak.
O último registro confirmado da espécie na Malásia era de 1913. Quando um indivíduo foi identificado novamente em fevereiro de 2025, haviam se passado 112 anos, transformando a observação em um dado relevante para a conservação e o estudo da distribuição da espécie.

Como os observadores encontraram o trinta-réis-chinês em 2025?
O encontro aconteceu durante um monitoramento rotineiro de aves limícolas migratórias na Baía de Bako-Buntal. A equipe da Malaysian Nature Society Kuching Branch observava aves costeiras quando percebeu um indivíduo diferente misturado a um pequeno grupo de outros trinta-réis.
Entre cerca de 10 e 20 aves da espécie Thalasseus bergii, o trinta-réis-chinês chamou atenção pelo bico característico, com ponta preta. A identificação posterior confirmou o primeiro registro malaio documentado em mais de um século.
Por que esse retorno chamou tanta atenção dos pesquisadores?
O impacto é grande porque a população mundial permanece extremamente pequena. A BirdLife informou em 2025 que havia menos de 200 indivíduos, com estimativas então situadas entre 100 e 150 aves, apesar dos esforços de recuperação realizados em diferentes áreas da Ásia.
A espécie chegou a ser considerada possivelmente extinta durante décadas e foi redescoberta em 2000, nas Ilhas Matsu, no Estreito de Taiwan. O novo registro ajuda a preencher lacunas sobre áreas usadas fora dos locais de reprodução conhecidos.
Os números mostram por que uma única observação tem tanto peso:
O que torna essa ave tão difícil de encontrar?
O trinta-réis-chinês pode passar despercebido porque se parece com espécies mais comuns de trinta-réis e costuma permanecer entre elas. Além disso, algumas áreas costeiras usadas pelas aves ficam condicionadas às marés, dificultando o acesso dos observadores e reduzindo as oportunidades de registro.
Seu padrão migratório também ainda é pouco conhecido. Por isso, cada ocorrência confirmada pode indicar novas áreas de passagem ou invernada e ajudar pesquisadores a entender quais trechos do litoral asiático merecem monitoramento mais frequente.
Os principais fatores ajudam a explicar a raridade dos encontros:
O que o registro revela sobre a importância da Baía de Bako-Buntal?
O avistamento reforça o valor de Bako-Buntal como área de passagem e invernada para aves aquáticas. A região integra a rota migratória Leste Asiático-Australásia e recebe dezenas de milhares de aves durante determinados períodos do ano.
Um relatório da Malaysian Nature Society registra o encontro como o primeiro do trinta-réis-chinês na Malásia em 112 anos e destaca o monitoramento de Bako-Buntal entre as ações de conservação de rotas migratórias.
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Esse avistamento significa que a espécie deixou de estar ameaçada?
Não. O retorno à Malásia amplia o conhecimento sobre a espécie, mas não indica recuperação suficiente para afastar o risco de extinção. O trinta-réis-chinês continua classificado como Criticamente em Perigo e enfrenta ameaças em diferentes partes de sua área de ocorrência.
Entre os problemas estão perda de áreas úmidas costeiras, coleta ilegal de ovos, tempestades, espécies invasoras e doenças aviárias. O registro de 2025 é positivo porque revela uma área importante, mas também aumenta a necessidade de proteger habitats usados durante reprodução, migração e inverno.
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