Ave gigante desaparecida há 240 anos volta aos céus e consegue criar seis filhotes depois de uma operação histórica
O programa começou com aves jovens vindas de outra região e alcançou um marco reprodutivo que não ocorria no país desde o século XVIII.
A águia-de-cauda-branca voltou a formar ninhos no sul da Inglaterra após um programa iniciado com aves jovens levadas da Escócia. O marco de seis filhotes nascidos livremente foi alcançado depois de 45 solturas e incluiu a primeira reprodução inglesa registrada em mais de 240 anos.
Qual ave voltou a se reproduzir no sul da Inglaterra?
A espécie é a águia-de-cauda-branca, também chamada de águia-marinha. Com envergadura que pode chegar a aproximadamente 2,4 metros, ela está entre as maiores aves de rapina da Europa e costuma ocupar costas, estuários, lagos e grandes rios.
O retorno ocorreu por meio de um projeto conduzido pela Forestry England e pela Roy Dennis Wildlife Foundation. Segundo a página oficial da reintrodução, 45 aves jovens haviam sido libertadas desde 2019, tendo a Ilha de Wight como base inicial.

Por que a espécie ficou ausente por cerca de 240 anos?
A águia deixou de se reproduzir na Inglaterra durante o século XVIII, após perseguição humana e mudanças na paisagem. Registros do projeto situam a última reprodução anterior na década de 1780, embora aves visitantes pudessem aparecer ocasionalmente vindas de outras regiões.
Por isso, o retorno não significa que o animal tenha sido recriado ou trazido de volta da extinção mundial. A espécie sobreviveu em outras partes da Europa e foi restabelecida na Escócia antes de fornecer jovens para o programa inglês.
Como 45 aves jovens foram transformadas em uma população livre?
Os filhotes vieram de ninhos selvagens na Escócia sob licenças específicas. Depois de uma fase de adaptação em recintos, foram soltos gradualmente na Ilha de Wight e acompanhados por transmissores, observações de campo e registros enviados pelo público.
O objetivo não era manter as águias próximas ao ponto de soltura. Muitas percorreram longas distâncias antes de retornar ao sul, formar pares e estabelecer territórios, um comportamento esperado em aves jovens que demoram vários anos para atingir a maturidade.
As etapas principais da operação podem ser organizadas assim:
Quando nasceram os seis filhotes em liberdade?
O primeiro filhote deixou o ninho em 2023, tornando-se o primeiro registrado em liberdade na Inglaterra em mais de 240 anos. O mesmo casal criou outros dois jovens em 2024, mostrando que o primeiro resultado não havia sido um episódio isolado.
Em 2025, dois casais criaram três filhotes: um em Dorset e dois em Sussex. Essa temporada levou o total acumulado a seis aves nascidas livremente dentro do programa, após anos em que o sucesso era medido apenas pela sobrevivência dos indivíduos soltos.
A sequência reprodutiva marcou três temporadas consecutivas:
O que permitiu aos casais alimentar e proteger os filhotes?
O litoral sul oferece estuários, áreas úmidas, bosques maduros e águas com peixes, conjunto favorável para alimentação e construção de ninhos. Monitoramentos indicaram consumo frequente de peixes, complementado por aves aquáticas, coelhos e carcaças encontradas na paisagem.
As águias precisam de árvores grandes, pouca perturbação perto do ninho e alimento acessível durante meses. A reprodução em Dorset e Sussex mostrou que o ambiente adequado não está restrito à Ilha de Wight, permitindo a expansão por diferentes trechos da costa.
A consolidação depende de condições que precisam continuar presentes:
- Proteção dos ninhos contra aproximações e perturbações prolongadas.
- Disponibilidade de peixes e outras fontes naturais de alimento.
- Árvores maduras capazes de sustentar ninhos grandes e pesados.
- Monitoramento de aves jovens durante dispersões de longa distância.
- Cooperação com proprietários rurais, pescadores e comunidades costeiras.
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Por que seis filhotes ainda não garantem a recuperação definitiva?
A formação de casais e o nascimento de jovens mostram que a reintrodução passou da fase de soltura para a reprodução natural. Ainda assim, seis filhotes representam uma base pequena diante de riscos como perseguição ilegal, colisões, envenenamento e baixa diversidade territorial.
A águia-de-cauda-branca amadurece lentamente e pode levar vários anos para formar um casal. A recuperação dependerá da sobrevivência dos adultos, da entrada dos jovens na população reprodutiva e da manutenção de territórios seguros ao longo da costa inglesa.
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