Ave desaparecida durante 24 anos reaparece em dois pontos diferentes da floresta e cientistas descobrem onde ela consegue sobreviver
Dois registros no nordeste de Madagascar revelaram novas pistas sobre o ambiente usado por uma das aves mais difíceis de encontrar da ilha.
A ave desaparecida durante 24 anos voltou a ser registrada em dois locais remotos do nordeste de Madagascar. A tetraka-escura reapareceu em 2022 e 2023, e os encontros próximos a cursos d’água deram aos pesquisadores novas pistas sobre o habitat usado pela espécie.
Qual é a ave desaparecida que reapareceu depois de 24 anos?
Trata-se da tetraka-escura (Crossleyia tenebrosa), pequena ave de tons oliva e garganta amarelada encontrada somente em Madagascar. O último registro documentado antes da redescoberta havia ocorrido em 1999.
A expedição liderada pelo The Peregrine Fund voltou a localizar a espécie no fim de 2022. A ave integrava a relação das dez espécies mais procuradas pelo programa internacional Search for Lost Birds.

Onde a tetraka-escura foi encontrada novamente?
O primeiro reencontro ocorreu em 22 de dezembro de 2022, na península de Masoala. Outra equipe localizou a espécie perto de Andapa em janeiro de 2023, confirmando que sua sobrevivência não estava limitada a um único ponto conhecido.
Na região de Andapa, pesquisadores observaram indivíduos em vegetação densa junto a um rio rochoso. Uma das aves foi capturada temporariamente em rede científica para medições e depois libertada sem ferimentos.
O que os dois registros revelaram sobre o habitat da espécie?
Os encontros indicaram uma possível preferência por vegetação úmida próxima a riachos e rios. Os indivíduos observados passaram grande parte do tempo no sub-bosque denso junto à água, aparentemente procurando insetos e outras pequenas presas.
Essa informação mudou a estratégia de procura. Pesquisas tradicionais de aves dependem bastante de vocalizações, mas áreas próximas a rios barulhentos costumam ser menos favoráveis à identificação por som e podem ter sido pouco examinadas anteriormente.
Os principais indícios encontrados foram estes:
Por que uma ave poderia permanecer escondida durante 24 anos?
A tetraka-escura vive perto do chão e possui plumagem que se mistura à vegetação. Além disso, sua semelhança com espécies relacionadas pode dificultar identificações, especialmente quando existem poucos registros anteriores disponíveis para comparação.
O ambiente parece aumentar essa dificuldade. Se a relação com riachos for confirmada por novos estudos, o barulho constante da água pode ajudar a explicar por que levantamentos baseados principalmente em cantos deixaram de detectar a espécie durante tantos anos.
Os registros ajudam a reconstruir uma história ainda pouco conhecida:
Por que a redescoberta também trouxe preocupação?
Parte da floresta visitada pelos pesquisadores perto do antigo local de registro havia sido convertida em plantações de baunilha, mesmo dentro de uma área oficialmente protegida. A perda de floresta tropical reduz os ambientes disponíveis para aves especializadas.
A BirdLife International destacou que a redescoberta permite direcionar novas buscas e esforços de proteção. Ainda é necessário determinar distribuição, tamanho populacional e exigências ecológicas da espécie.
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Os cientistas já sabem exatamente onde a tetraka-escura consegue sobreviver?
Ainda não. Os registros próximos a rios oferecem uma hipótese importante sobre preferência de habitat, mas dois locais não são suficientes para determinar todos os ambientes usados pela espécie. Novas pesquisas precisam testar se esse padrão se repete em outras regiões.
A diferença é que agora existe uma pista concreta. Depois de 24 anos sem registros, os pesquisadores podem concentrar levantamentos em florestas baixas, úmidas e próximas a cursos d’água, aumentando as chances de localizar outras populações e compreender melhor como protegê-las.
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