Ave desaparecida da ciência por 44 anos surge no alto das árvores após dez dias de procura e encerra silêncio que atravessou gerações
🐦 Duas aves silenciosas chamaram atenção na copa Parte do grupo permaneceu junto ao veículo enquanto outros subiam uma colina. A espera inesperada produziu as primeiras fotografias e gravações conhecidas da espécie. Uma ave desaparecida dos registros por 44 anos voltou a ser fotografada numa ilha remota e pouco visitada de Papua-Nova Guiné. A expedição...
Uma ave desaparecida dos registros por 44 anos voltou a ser fotografada numa ilha remota e pouco visitada de Papua-Nova Guiné. A expedição avançou pela floresta durante uma viagem de 16 dias e terminou com nove indivíduos registrados em três pequenos grupos.
Qual ave desaparecida voltou aos registros científicos?
A espécie reencontrada foi o triller-de-Mussau, de nome científico Lalage conjuncta. Essa ave florestal é endêmica da Ilha Mussau e não possuía documentação confirmada desde 1979, embora sua sobrevivência ainda fosse considerada possível.
O triller integrava o Search for Lost Birds, parceria entre American Bird Conservancy, Re:wild e BirdLife International. O projeto considera perdida uma ave sem registro por pelo menos dez anos.

Como ocorreu o encontro após dez dias de viagem?
O grupo iniciou a busca pelo triller no décimo dia de uma viagem de 16 dias, em junho de 2024. Esse período marca o avanço da expedição, não uma procura exclusiva pela espécie.
Joshua Bergmark conseguiu uma antiga ambulância para entrar na maior ilha das Ilhas de São Matias. Após uma hora de estrada, parte do grupo subiu uma colina, enquanto outros participantes aguardaram transporte.
A sequência do reencontro pode ser resumida assim:
O que as primeiras fotografias e gravações revelaram?
As observações registraram nove aves em três bandos, número pequeno, mas muito superior a um avistamento isolado. O grupo produziu as primeiras fotografias e gravações sonoras conhecidas do triller-de-Mussau.
As aves permaneciam no alto das árvores, misturadas a outras espécies enquanto se alimentavam. O triller possui tons cinzentos, brancos e pretos, além de uma coloração castanha característica no peito, e consome frutos e insetos.
Por que a espécie ficou 44 anos sem documentação?
O triller-de-Mussau prefere árvores altas na floresta densa do interior, ambiente difícil de alcançar e observar. A espécie também pode permanecer silenciosa, como ocorreu no reencontro, quando foi percebida visualmente antes de emitir qualquer vocalização.
Seis anos antes, Joshua Bergmark não conseguiu pesquisar as áreas internas. Em 2024, estradas madeireiras facilitaram o acesso, mas também evidenciaram uma transformação capaz de ameaçar o habitat.
Quatro fatores ajudam a explicar o longo intervalo:
- localização remota no arquipélago de Bismarck;
- preferência pelas copas altas da floresta;
- acesso difícil ao interior da Ilha Mussau;
- poucas expedições com documentação verificável.
Quais ameaças cercam o triller-de-Mussau?
O triller-de-Mussau é classificado como vulnerável à extinção devido principalmente à exploração madeireira iniciada na ilha nos anos 1980. A ausência de registros recentes dificultava avaliar como a espécie respondia à perda e à fragmentação florestal.
Dados da BirdLife indicam redução de 7,2% da floresta primária na Nova Irlanda entre 2000 e 2023. Estradas já alcançavam áreas próximas ao ponto mais alto da ilha, a cerca de 500 metros.
Os dados disponíveis apontam estes desafios:
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O reencontro significa que a ave já está protegida?
Não. A documentação confirma a sobrevivência, mas nove indivíduos não permitem estimar o tamanho nem a estabilidade da população. Novos levantamentos precisarão localizar territórios, acompanhar bandos e medir a reprodução.
As fotografias e gravações criaram um ponto de partida para decisões de conservação. O silêncio científico terminou em 2024, porém a continuidade do triller-de-Mussau dependerá da proteção das florestas altas que ainda restam na ilha.
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