Ataque russo provoca incêndio em Chernobyl
Fogo 1.200 hectares e ainda é combatido; autoridades afirmam que radiação permanece dentro dos limites normais
Um incêndio florestal de grande extensão atingiu a zona de exclusão ao redor da antiga usina nuclear de Chernobyl após um ataque russo à Ucrânia. As chamas, que começaram no dia 7 deste mês, chegaram a cobrir 1.200 hectares, e seguem sendo combatidas nesta terça-feira, 12, segundo autoridades ucranianas.
No local foram localizados destroços de dois drones. Apesar da dimensão do fogo, os órgãos competentes informaram que os índices de radiação na região permanecem dentro dos parâmetros aceitáveis.
Combate dificultado por minas e seca
As equipes de emergência enfrentam condições adversas para controlar o fogo. Além da estiagem prolongada, que favorece a propagação das chamas, partes da zona de exclusão estão minadas — o que exige uma etapa prévia de varredura antes de qualquer movimentação de pessoal ou maquinário.
“Antes da chegada do equipamento especial, o terreno é varrido por especialistas do serviço de desativação de explosivos. Só depois disso veículos dos bombeiros e outros equipamentos podem entrar. Nenhuma máquina pode ser utilizada em áreas potencialmente minadas sem uma limpeza prévia”, declarou Viktoria Ruban, porta-voz da Defesa Civil Estatal da região de Kiev, em entrevista à DW.
Apesar dos entraves, Ruban afirmou que “todos os focos foram contidos” e que “todas as forças necessárias estão envolvidas no combate ao fogo, com equipamentos especiais”.
Risco radiológico monitorado em tempo real
O Centro Estatal Científico-Técnico para Segurança Nuclear e Radiológica acompanha continuamente a evolução do incêndio e modela cenários de dispersão de partículas radioativas. O pesquisador Yuriy Kyrylenko explicou que a equipe monitora “online a direção das nuvens, as condições meteorológicas” e avalia os efeitos tanto para quem atua na zona quanto para a população externa.
A principal substância de atenção é o césio-137, radionuclídeo acumulado nos solos e florestas da região desde o acidente de 1986.
Segundo Kyrylenko, mesmo no cenário mais desfavorável, as projeções ficam bem abaixo do limite permitido: “O limite permitido de césio-137 para a população é de 800 milibecqueréis. Nossos modelos mostram que os valores possíveis seriam várias vezes inferiores a esse limite”.
O risco mais concreto recai sobre os trabalhadores em campo. “Dentro da zona, pode haver alguns efeitos sobre bombeiros e outras equipes, mas eles estão protegidos por roupas e equipamentos especiais”, ponderou o pesquisador.
Danos ao meio ambiente preocupam especialistas
Ainda que a saúde da população externa não esteja ameaçada, ambientalistas alertam para os impactos sobre o ecossistema local. Desde 2016, a zona de exclusão abriga uma reserva radioecológica da biosfera, área destinada à regeneração da natureza sem interferência humana.
Oleksiy Vasyliuk, líder da ONG Sociedade Ucraniana de Conservação da Natureza, aponta que os incêndios destroem habitats de espécies raras, como a felosa-aquática. “Incêndios podem destruir esses locais de reprodução por anos”, alertou.
Episódios similares ocorreram em 2015, 2018 e 2020 sem consequências graves fora da zona. Especialistas estimam que o atual incêndio pode se estender por até duas semanas, a depender do clima e do ritmo dos trabalhos de contenção.
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