Ataque aéreo israelense mata três na Cisjordânia
Bombardeio incomum em Jenin ocorre em meio a operação militar contra grupos armados palestinos
Forças israelenses mataram três homens nesta sexta-feira, 28, durante um bombardeio aéreo na região de Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada.
O episódio chama atenção por sua raridade: ataques desse tipo costumam se concentrar na Faixa de Gaza, alvo de bombardeios israelenses desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Segundo o Exército de Israel, um dos mortos integrava o grupo terrorista.
Identificação das vítimas
O militar identificado foi Qais Bitawi, apontado por Israel como membro do Hamas ligado a uma estrutura armada desarticulada durante a operação batizada “Muro de Ferro”. De acordo com a mesma fonte, os outros dois homens mortos no ataque desta sexta eram cúmplices de Bitawi, e armamento foi localizado nos veículos usados por eles.
Em nota, o Exército israelense declarou que “três terroristas foram neutralizados na região de Jenin”.
A versão sobre a filiação de Bitawi, porém, é contestada. Enquanto as Brigadas Ezzedin al-Qassam, braço armado do Hamas, reivindicaram o combatente como um de seus comandantes, a Jihad Islâmica Palestina já havia afirmado antes que os três homens integravam suas próprias fileiras.
Contexto da ocupação
A ofensiva “Muro de Ferro”, iniciada no começo de 2025 contra campos de refugiados no norte da Cisjordânia, teve como alvo declarado grupos armados palestinos.
Em fevereiro daquele ano, tanques israelenses foram enviados a Jenin, cidade historicamente associada à resistência armada. A operação provocou o deslocamento de cerca de 40 mil pessoas, segundo levantamento da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA).
Desde os ataques de outubro de 2023, ao menos 1.100 palestinos da Cisjordânia morreram em confrontos com soldados ou colonos israelenses, conforme contagem baseada em dados da Autoridade Nacional Palestina.
No mesmo período, autoridades israelenses registraram 48 mortes entre civis e militares do país. A Cisjordânia está sob ocupação israelense desde 1967, e os Acordos de Oslo, firmados na década de 1990, garantiram autogoverno limitado à Autoridade Nacional Palestina, hoje dirigida pelo Fatah, partido rival do Hamas.
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