Após mais de um século, maior rede de livrarias do país fecha as últimas lojas e declara falência com dívida de R$ 675 milhões
A recuperação iniciada em 2018 não conseguiu conter a perda de lojas, a pressão dos credores e o esvaziamento de uma operação centenária.
A maior rede de livrarias do Brasil chegou ao fim depois de mais de um século ligado à venda de livros e à expansão dos grandes espaços culturais. A empresa era a Saraiva, que fechou as cinco unidades restantes em setembro de 2023 e teve a falência decretada pela Justiça no mês seguinte.
Qual era a maior rede de livrarias do país?
A empresa era a Saraiva, fundada em 1914 pelo imigrante português Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva. A primeira unidade surgiu no centro de São Paulo e ganhou espaço com a venda de livros jurídicos destinados a estudantes e profissionais.
Ao longo das décadas, a Livraria Saraiva ampliou o catálogo e transformou suas lojas em grandes pontos de comércio e convivência. Livros, eletrônicos e eventos dividiam os mesmos espaços.

Como a Saraiva chegou a cerca de 100 lojas?
A expansão ocorreu por inaugurações em shopping centers e pela compra da rede Siciliano em 2008. A operação aumentou a presença nacional da companhia e ajudou a Saraiva a alcançar cerca de 100 livrarias espalhadas pelo Brasil.
O tamanho que fortaleceu a marca também elevou despesas com aluguéis, funcionários, estoques e logística. Com a queda das vendas, manter unidades extensas passou a exigir receitas que a empresa já não produzia.
Por que a recuperação judicial não funcionou?
A Saraiva pediu recuperação judicial em novembro de 2018, com uma dívida informada de R$ 674 milhões, frequentemente arredondada para R$ 675 milhões. O processo buscava reorganizar pagamentos, negociar com credores e preservar a atividade comercial.
A redução das lojas e a conversão de parte da dívida em ações não foram suficientes. A companhia continuou pressionada por custos, queda nas vendas, competição do comércio eletrônico e dificuldades para manter fornecedores, variedade de títulos e capital de giro.
Como foram fechadas as últimas lojas da Saraiva?
Em setembro de 2023, a empresa demitiu os funcionários e encerrou as cinco livrarias que ainda funcionavam. Quatro ficavam no estado de São Paulo e uma estava em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
O fechamento retirou da rede sua última operação física. A intenção inicial era manter apenas o comércio eletrônico, mas o site tinha participação pequena nas receitas e não ofereceu recursos suficientes para sustentar a companhia durante a fase final da recuperação.
As últimas unidades estavam concentradas nestes locais:
O que a falência com dívida de R$ 675 milhões significou?
A própria Saraiva solicitou a falência em 4 de outubro de 2023. Dois dias depois, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo converteu a recuperação em falência e nomeou um administrador judicial.
A decisão reconheceu que a companhia não conseguia cumprir o plano nem continuar operando de forma viável. A partir dali, o objetivo deixou de ser recuperar o negócio e passou a ser identificar, reunir e vender ativos para pagar credores conforme a ordem legal.
Três momentos resumem o encerramento da rede:
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Por que o fechamento marcou o fim de uma era?
Durante décadas, as grandes lojas da Saraiva ofereceram lançamentos, sessões de autógrafos e espaços de leitura em cidades brasileiras. O desaparecimento da rede representou a perda de uma marca presente na formação de diferentes gerações de consumidores.
A falência não significou o encerramento do mercado livreiro brasileiro, que continuou com redes menores, livrarias independentes e vendas digitais. Ela marcou o fim de uma estrutura centenária que não conseguiu adaptar despesas, dívidas e operação às mudanças do varejo.
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