Após desaparecer nos anos 1990, animal volta a ser encontrado nos rios e emociona pesquisadores
A reintrodução na Cornualha recuperou o rato-d’água, que já ocupa novos trechos do rio Kennall e apresenta sinais de reprodução.
🐾 Como um mamífero desaparecido voltou aos rios?
O rato-d’água-europeu sumiu da Cornualha nos anos 1990, pressionado pela perda de habitat e pelo vison-americano. Solturas iniciadas em 2022 devolveram o animal às margens, onde tocas, fezes e novos deslocamentos confirmam sua adaptação. ⬇️
O rato-d’água-europeu foi considerado extinto na Cornualha nos anos 1990, mas voltou após solturas iniciadas em 2022 e já se reproduz longe dos pontos originais. O retorno ao rio Kennall mostra como habitat restaurado e controle do vison-americano podem recuperar uma população local.
Qual animal voltou aos rios da Cornualha?
O animal é o rato-d’água-europeu, ou Arvicola amphibius, roedor semiaquático também chamado de rato-dos-lameiros. A espécie vive em margens vegetadas de rios, riachos, lagoas e canais, onde escava tocas e procura plantas.
Diferentemente do rato-castanho, possui focinho arredondado, orelhas pequenas e cauda coberta por pelos. O verbete sobre o rato-dos-lameiros registra sua distribuição pela Europa e por partes da Ásia.

Por que o rato-d’água desapareceu nos anos 1990?
A extinção local ocorreu após a fragmentação de áreas úmidas, mudanças nas margens dos cursos d’água e avanço do vison-americano. Esse predador invasor consegue entrar nas tocas e atingir adultos e filhotes.
Populações pequenas ficaram isoladas e perderam capacidade de compensar as mortes. O último registro confirmado na Cornualha ocorreu durante os anos 1990, encerrando uma presença antes comum em diferentes bacias hidrográficas.
Quais sinais confirmam o sucesso da reintrodução?
Monitoramentos encontraram fezes, entradas de tocas e avistamentos depois das primeiras solturas. Na primavera de 2024, os animais já haviam sobrevivido ao segundo inverno e ampliado sua presença pelo rio Kennall.
Também apareceram indícios de reprodução distante dos locais originais, tanto acima quanto abaixo do trecho inicial. Essa dispersão indica que parte dos indivíduos encontrou alimento, abrigo e margens adequadas sem permanecer concentrada.
Os marcos mostram o avanço da população.
Como o ambiente foi preparado para receber os animais?
A fazenda Trelusback recuperou lagoas, abriu trechos excessivamente sombreados e manteve vegetação junto à água. Essas intervenções aumentaram áreas de alimentação e locais onde os roedores conseguem cavar suas tocas.
O projeto também reduziu pesticidas e instalou plataformas para detectar visons-americanos. A Cornwall Council relata que fezes e avistamentos confirmaram a permanência dos primeiros animais liberados perto do lago Stithians.
Cada intervenção atende a uma ameaça diferente enfrentada pela espécie.
Que cuidados ainda protegem a população?
A reintrodução ainda depende de vigilância contínua, porque poucos visons-americanos podem eliminar grupos inteiros. Secas, margens degradadas e isolamento entre áreas úmidas também limitam a expansão natural.
Pesquisadores usam sinais de campo para estimar ocupação sem capturar todos os indivíduos. Fezes concentradas, caules cortados em ângulo e entradas de tocas ajudam a identificar atividade ao longo das margens.
A proteção precisa manter quatro frentes coordenadas:
- Monitorar visons-americanos nas bacias escolhidas para novas solturas.
- Conservar vegetação densa junto a rios, canais, lagoas e riachos.
- Registrar tocas, fezes e avistamentos em levantamentos periódicos.
- Conectar áreas úmidas para permitir dispersão e mistura genética.
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Por que esse retorno importa para a Cornualha?
O rato-d’água modifica a vegetação ao pastar e escavar, criando pequenas diferenças nas margens que favorecem outras espécies. Também integra a dieta de lontras, garças, aves de rapina e pequenos carnívoros.
Sua presença no rio Kennall não significa recuperação completa em toda a Cornualha. O resultado demonstra, porém, que reprodução em cativeiro, restauração de habitat e controle de invasores podem reconstruir populações desaparecidas de uma bacia.
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