Antílope extinto há mais de 220 anos tem genoma reconstruído e empresa anuncia plano para tentar devolvê-lo às planícies africanas
O DNA preservado em um museu orienta um projeto de reprodução assistida que ainda precisa superar várias etapas científicas.
O antílope extinto conhecido como bluebuck desapareceu por volta de 1800, mas seu genoma agora orienta um projeto de desextinção. A Colossal Biosciences pretende editar células de um parente vivo e recorrer à reprodução assistida, embora nenhum embrião ou filhote tenha sido produzido.
Qual antílope extinto poderá retornar às planícies africanas?
O projeto envolve o bluebuck ou antílope-azul, de nome científico Hippotragus leucophaeus. O mamífero vivia nas planícies costeiras do sudoeste da África do Sul e desapareceu por volta de 1800, após a caça intensiva e a redução de seu habitat.
O animal tinha pelagem cinza-prateada com aparência azulada e chifres curvados para trás. Restaram poucos exemplares históricos em museus, um problema para a pesquisa genética porque o DNA antigo costuma estar fragmentado, degradado e misturado a material de outras origens.
Os vestígios preservados explicam como a espécie pôde ser estudada mais de dois séculos depois.

Como o genoma do bluebuck foi reconstruído?
Os pesquisadores extraíram DNA de uma pele montada de um macho jovem conservada pelo Museu Sueco de História Natural. A empresa afirma ter obtido um genoma com cobertura de 40 vezes, repetindo a leitura de cada posição para aumentar a confiança na sequência reconstruída.
O material foi comparado ao genoma do antílope-palanca, parente vivo mais próximo usado pelo projeto. As duas espécies apresentam mais de 98% de semelhança genômica, mas as diferenças restantes abrangem milhões de variantes que precisam ser avaliadas antes da seleção das alterações consideradas essenciais.
As etapas abaixo separam resultados concluídos de procedimentos que ainda dependem de testes.
Como a empresa pretende produzir novos animais?
A Colossal Biosciences está editando células do antílope-palanca para incorporar características genéticas atribuídas ao bluebuck. Se as edições funcionarem, essas células poderão originar embriões, que seriam implantados em fêmeas substitutas da espécie viva.
A gestação esperada seria de aproximadamente nove meses, mas o projeto ainda não chegou a essa fase. A empresa também desenvolve coleta de óvulos, células-tronco pluripotentes e protocolos reprodutivos para antílopes, tecnologias que podem apoiar espécies ameaçadas mesmo que a desextinção encontre obstáculos.
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O bluebuck realmente poderá voltar à natureza?
A volta às planícies africanas continua sendo uma meta de longo prazo, não um resultado garantido. Antes de uma soltura, seriam necessários animais saudáveis, diversidade genética suficiente, aprovação de autoridades, áreas protegidas, acompanhamento veterinário e avaliação dos efeitos sobre um ambiente transformado durante mais de dois séculos.
Também existe debate sobre chamar os futuros animais de bluebucks autênticos, pois eles seriam produzidos a partir de células editadas de uma espécie viva. Por enquanto, o avanço verificável é genômico: a sequência foi reconstruída e comparada, enquanto embriões, nascimentos e reintrodução permanecem etapas futuras.
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