Anthropic restringe oferta de IA na China e a outros “adversários dos EUA”
Empresa interrompe serviços para companhias chinesas e governos rivais dos EUA por temores de segurança nacional
A Anthropic, desenvolvedora do chatbot Claude, com sede em São Francisco, EUA, suspendeu a oferta de serviços de inteligência artificial para empresas controladas por grupos chineses. A decisão, anunciada hoje, 4, estende-se a outros governos considerados adversários dos Estados Unidos, como Rússia, Irã e Coreia do Norte.
A medida visa limitar a exploração da tecnologia por Pequim para fins militares e de inteligência, além de alinhar a estratégia da companhia com a promoção dos interesses democráticos e a liderança norte-americana no setor de IA. A restrição busca fechar uma lacuna que permitia o acesso a inteligência artificial de ponta.
Disputas políticas
Esta é a primeira vez que uma empresa de IA americana adota uma política deste tipo. Entre as companhias afetadas estão gigantes como ByteDance, Tencent e Alibaba. A proibição atinge tanto clientes diretos quanto grupos que acessam os serviços da Anthropic através de provedores de nuvem, incluindo subsidiárias chinesas estabelecidas em países como Singapura para contornar inspeções rigorosas.
Segundo a Folha, um executivo da empresa minimizou o impacto financeiro global da decisão, estimando-o em alguns milhões de dólares, um valor considerado pequeno para a escala da organização. Apesar da potencial perda de mercado para concorrentes, a Anthropic considera a ação essencial para sinalizar uma questão significativa de segurança.
A iniciativa ocorre em meio a crescentes preocupações em Washington sobre a possibilidade de empresas chinesas criarem subsidiárias no exterior para mascarar a obtenção de tecnologia americana. O governo dos EUA teme que empresas chinesas sejam compelidas a compartilhar dados com o governo de Pequim, o que representaria um risco à segurança nacional, além da apropriação tecnológica que poderia gerar vantagem competitiva injusta. Há uma apreensão em relação ao uso da IA pela China em aplicações militares, como armas hipersônicas e modelagem de ogivas nucleares.
O governo Biden já havia implementado controles de exportação para dificultar o acesso chinês a tecnologias avançadas de inteligência artificial. Fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI, a Anthropic defende políticas de segurança rigorosas, e seu CEO, Dario Amodei, já havia manifestado apoio ao endurecimento dos controles de exportação para a China em janeiro.
Mesmo com o acesso a chatbots americanos como Claude, ChatGPT, Gemini e Meta AI bloqueado na China, usuários no país conseguem burlar as restrições por meio de VPNs, o que está em desacordo com os termos de uso das plataformas. A empresa anunciou recentemente um financiamento de US$ 13 bilhões, elevando seu valor de mercado para US$ 170 bilhões.
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