Animal que quase desapareceu cresce 1.100% em sete anos e recuperação emociona conservacionistas
O avanço mostra a força de um trabalho longo de proteção da espécie
Como um bicho que sobrou aos 48 mil em 2005 chegou a 2,86 milhões em menos de 20 anos? O antílope saiga viveu com mamutes, quase sumiu e agora saiu da lista de risco. É uma das recuperações mais rápidas já vistas em um mamífero.
O que aconteceu com o antílope saiga?
O antílope saiga é um bicho pré-histórico que viveu com mamutes-lanosos e tigres-dente-de-sabre. Em 2005, restavam só 48 mil no mundo. Hoje são 2,86 milhões, quase todos no Cazaquistão.
Em 11 de dezembro de 2023, a União Internacional para a Conservação da Natureza mudou o status da espécie de “criticamente em perigo” para “quase ameaçada”. É uma das recuperações mais rápidas já vistas de um mamífero terrestre.

Como o antílope saiga quase sumiu do planeta?
Depois da queda da União Soviética, em 1991, a caça descontrolada explodiu. Os chifres dos machos, feitos de queratina, eram vendidos para a medicina tradicional na Ásia. Só os machos têm chifre, então a caça deixou rebanhos quase sem reprodutores.
Em 2015, veio outro golpe. Em 3 semanas, 200 mil saigas morreram no centro do Cazaquistão. Um estudo publicado na revista Science Advances mostrou que a bactéria Pasteurella multocida tipo B, que já vivia sem causar mal dentro dos animais, virou letal por causa de calor e umidade fora do normal nos dias anteriores ao parto. A taxa de mortalidade foi de 100% nos rebanhos atingidos.
Quem se preocupa com a preservação da vida selvagem, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal BBC News Brasil, que conta com mais de 6.100 visualizações, onde ambientalistas mostram os esforços globais para a sobrevivência do saiga no Cazaquistão:
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Quais fatores puxaram a recuperação da espécie?
A virada tem nome: Altyn Dala, que quer dizer “Estepe Dourada” em cazaque. É uma parceria criada em 2005 entre o governo do Cazaquistão, cientistas e ONGs para salvar o saiga e o pasto onde ele vive. Em 2024, o projeto ganhou o Prêmio Earthshot, dado a soluções ambientais de destaque no mundo.
Os 4 pilares que fizeram a espécie voltar:
Onde vivem os antílopes saiga hoje?
O Cazaquistão concentra cerca de 99% da população mundial da espécie, segundo a Sociedade Zoológica de Frankfurt. Fora dali, restam pequenos grupos na Rússia, Mongólia e Uzbequistão.
A tabela abaixo mostra os números por país, com base nos dados usados na avaliação da IUCN em 2023:
| País | População | Situação |
|---|---|---|
| CazaquistãoPrincipal reduto da espécie | 2,86 milhões | Estável |
| RússiaRegião de Kalmykia | 38 mil | Em alta |
| MongóliaSubespécie própria | 15,5 mil | Vulnerável |
| UzbequistãoRegião do Mar de Aral | 500 | Crítica |
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O antílope saiga está mesmo fora de perigo?
Não. “Quase ameaçada” é o degrau logo acima de “vulnerável” na lista da IUCN Red List. Se a caça, a fragmentação do pasto ou uma nova onda de doença voltarem, o rebanho pode despencar rápido, como já aconteceu em 2015.
Em dezembro de 2025, a CITES voltou a permitir a exportação de chifres de saiga pelo Cazaquistão, com regras rígidas de rastreio. É um teste: se o comércio for bem controlado, gera renda para a conservação; se sair do controle, alimenta o mesmo mercado que quase matou a espécie.
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