Animal que praticamente desapareceu dos campos recebe quase 70 novos indivíduos e volta a cavar tocas em uma das últimas estepes preservadas da Europa
Solturas iniciadas em 2022 tentam restabelecer um pequeno engenheiro do ecossistema em um dos últimos campos naturais da Ucrânia.
Quase 70 novos indivíduos marcaram, em julho de 2025, uma etapa da recuperação de um roedor selvagem na Ucrânia. As solturas começaram com uma família de três animais e usam tocas preparadas, cercados temporários e acompanhamento antes da liberdade plena.
Qual animal voltou à Estepe de Tarutino?
O animal é o hamster-europeu, também chamado hamster-comum, de nome científico Cricetus cricetus. Diferentemente dos pequenos hamsters domésticos, esse roedor selvagem pode atingir 30 centímetros de comprimento e pesar mais de 500 gramas.
A espécie ocupava estepes e campos europeus. O hamster-comum perdeu grande parte de sua distribuição após destruição do habitat, poluição e perseguição como praga agrícola.

Quando os 70 novos indivíduos foram soltos?
O marco de quase 70 correspondia ao balanço de 22 de julho de 2025, após a libertação de 37 hamsters naquele mês. Iniciado em 2022, o programa realizou etapas anuais.
Uma atualização anual da Rewilding Europe informou que quase 100 hamsters foram soltos durante o verão de 2025. O número do título representa um estágio intermediário, superado pelas solturas seguintes.
A sequência conhecida mostra a expansão do programa:
Como funciona a adaptação antes da liberdade?
A equipe prepara tocas artificiais biodegradáveis, instala cercas e monta um recinto de aclimatação. Os hamsters chegam de instituições parceiras, são acomodados nos abrigos e recebem acompanhamento intenso nos primeiros dias.
Essa fase reduz riscos enquanto os animais reconhecem o território. Após a adaptação, o cercado deixa de limitar os movimentos e os roedores podem ampliar ou construir seus próprios sistemas subterrâneos.
Por que as tocas ajudam a recuperar a estepe?
As tocas movimentam e arejam o solo, criando ambientes usados por outros animais. Ao carregar e armazenar alimentos, os hamsters também dispersam sementes e influenciam a fertilidade da terra.
O retorno recompõe relações alimentares, pois os roedores servem de presa para aves e mamíferos. O objetivo é recuperar processos naturais que sustentam uma estepe diversa.
Os principais efeitos ecológicos incluem:
- criação de abrigos subterrâneos para outras espécies;
- movimentação do solo e melhoria de sua fertilidade;
- transporte e dispersão de sementes pela paisagem;
- recomposição da cadeia alimentar da estepe.
Por que o hamster-europeu está criticamente ameaçado?
O hamster-europeu praticamente desapareceu por destruição de campos, poluição e campanhas de eliminação. A Ucrânia incluiu a espécie no Livro Vermelho em 2009, enquanto a avaliação internacional aponta risco crítico de extinção.
A guerra ampliou a degradação de campos ucranianos. A reintrodução conduzida pela Rewilding Ukraine ocorre no sudoeste, em parceria com o Zoológico de Kyiv e o parque local.
Os desafios de conservação podem ser organizados assim:
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A nova população já consegue sobreviver sozinha?
Ainda não há confirmação de uma população estável e autossustentável. Como os hamsters permanecem muito tempo sob a terra, o sucesso dependerá da sobrevivência, reprodução e dispersão nos próximos anos.
A Estepe de Tarutino possui cerca de 5.200 hectares e está entre os remanescentes mais preservados da Europa. Solturas e monitoramento continuarão em 2026 para consolidar uma população sem apoio constante.