Animal extremamente raro volta a uma ilha depois de 180 anos e conservacionistas celebram uma das maiores restaurações do arquipélago
Reintrodução histórica devolve à ilha um antigo engenheiro do ecossistema e abre uma nova fase na maior restauração já tentada no arquipélago.
O animal extremamente raro que voltou a uma ilha após 180 anos de ausência reacendeu um dos projetos de conservação mais ambiciosos de Galápagos. Na ilha Floreana, a reintrodução de tartarugas-gigantes de linhagem local marca o retorno de um antigo engenheiro do ecossistema.
Qual é o animal extremamente raro que voltou à ilha depois de 180 anos?
Trata-se das tartarugas-gigantes de Galápagos ligadas à linhagem de Floreana, ausentes da ilha havia mais de 180 anos. Em fevereiro de 2026, 158 juvenis foram soltos em Floreana, iniciando oficialmente a volta desses animais ao território onde seus ancestrais desapareceram no século XIX.
O retorno foi descrito como um marco histórico pela Galápagos Conservancy. Embora a espécie original tenha sido perdida, os indivíduos liberados carregam forte ancestralidade de Floreana e foram criados justamente para recuperar a função ecológica antes exercida na ilha.

Por que essas tartarugas desapareceram de Floreana?
As tartarugas foram levadas à extinção local em meados do século XIX, principalmente pela exploração de navegadores, baleeiros e outros visitantes que capturavam os animais para alimentação. A pressão humana direta foi acompanhada pelos efeitos de espécies invasoras introduzidas na ilha.
Com isso, Floreana perdeu um de seus principais animais nativos e ficou sem um herbívoro de grande porte capaz de moldar a paisagem. Durante gerações, a ilha permaneceu sem a presença das tartarugas que antes participavam de processos importantes de dispersão de sementes e renovação da vegetação.
Como a reintrodução se tornou possível depois de tanto tempo?
A virada começou quando cientistas encontraram, no ano 2000, tartarugas com ancestralidade de Floreana no vulcão Wolf, em outra parte do arquipélago. Essa descoberta abriu a possibilidade de reconstruir uma população com forte ligação genética à linhagem desaparecida.
Nas duas décadas seguintes, equipes de conservação organizaram um programa de reprodução e criaram juvenis em cativeiro por 12 a 14 anos, até que os animais alcançassem tamanho e condição adequados para a soltura em ambiente natural.
O processo envolveu várias etapas antes da libertação:
Por que a volta dessas tartarugas pode mudar a ilha?
As tartarugas-gigantes são consideradas espécies-chave e engenheiras do ecossistema. Ao caminhar grandes distâncias, comer vegetação, abrir trilhas e dispersar sementes, elas influenciam a distribuição das plantas e ajudam a reorganizar a paisagem.
Isso significa que o retorno não afeta apenas um animal isolado. A presença das tartarugas pode favorecer a regeneração de áreas degradadas, criar oportunidades para outras espécies e recolocar em funcionamento processos ecológicos que estavam ausentes havia quase dois séculos.
Os principais efeitos esperados podem ser resumidos assim:
Por que o projeto é tratado como uma das maiores restaurações de Galápagos?
A soltura das tartarugas é apenas a primeira etapa de um plano mais amplo. Segundo a Charles Darwin Foundation, o retorno desses répteis é o primeiro de 12 grupos nativos previstos dentro do Projeto de Restauração Ecológica de Floreana.
Isso ajuda a explicar por que conservacionistas tratam a iniciativa como uma das maiores já tentadas no arquipélago. O objetivo não é apenas devolver um animal à ilha, mas reconstruir relações ecológicas perdidas e fazer isso em parceria com a comunidade humana local.
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O retorno significa que a restauração já foi concluída?
Ainda não. Os 158 juvenis liberados representam um começo, não o ponto final. Os animais continuarão sendo monitorados, novas solturas devem ocorrer nos próximos anos e a paisagem da ilha ainda precisará responder à presença deles ao longo do tempo.
Também permanece a necessidade de manejo de habitat, controle de espécies invasoras e acompanhamento da sobrevivência dos indivíduos reintroduzidos. A celebração, portanto, é real, mas vem acompanhada de um trabalho de longo prazo para transformar a volta das tartarugas em uma população estável e ecologicamente funcional.
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