Afegãos são deportados em massa do Irã
Estima-se que cerca de 70% dos afegãos estejam sendo forçados a deixar o Irã. Este fenômeno inclui crianças e adultos que nasceram no país e nunca conheceram o Afeganistão
O regime iraniano tem atribuído a atual crise econômica ao aumento da presença de migrantes afegãos no país. Segundo informações da Organização Internacional para as Migrações (OIM), em junho, mais de 250 mil afegãos deixaram o Irã e retornaram ao seu país natal.
No dia 26 de junho, o posto de fronteira de Islam Qala registrou 30 mil passagens. Organizações humanitárias alertam que o Afeganistão não está preparado para acolher essa quantidade massiva de retornados, citando a escassez de alimentos e abrigos temporários.
Além disso, o país é administrado pelo grupo radical islâmico talibã, desde 2021. Mulheres e meninas, portanto, sairão de um contexto de opressão para outro, no qual são negados a elas direitos básicos como educação e trabalho, enfrentando uma vida marcada pela pobreza extrema.
Estima-se que cerca de 70% dos afegãos estejam sendo forçados a deixar o Irã. Este fenômeno inclui crianças e adultos que nasceram no país e nunca conheceram o Afeganistão.
O prazo para que os afegãos deixem o Irã foi estabelecido até 6 de julho, após uma declaração do chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, que anunciou que aproximadamente dois milhões de estrangeiros indocumentados seriam deportados nos próximos meses.
Inicialmente, o prazo era para março, mas foi estendido até julho, quando se espera que as autoridades intensifiquem as ações contra migrantes afegãos. Desde o início do ano, mais de 700 mil afegãos já deixaram o Irã.
Afegãos no Irã
O Irã abriga a maior população de afegãos fora do Afeganistão, com estimativas que variam entre 4,5 milhões e até 8 milhões.
Aproximadamente 1,5 milhão deles possui algum tipo de autorização de residência ou status de refugiado.
Historicamente, muitos afegãos buscaram abrigo na República Islâmica em decorrência da guerra civil e da opressão talibã, à procura de melhores condições de vida.
Os trabalhadores afegãos frequentemente atuam em setores como agricultura e construção civil, realizando trabalhos árduos por salários baixos.
Apesar das dificuldades, muitos consideram essa opção superior à vida no Afeganistão devastado pela guerra.
O processo para obtenção da cidadania iraniana é complicado e frequentemente intransponível. Contudo, por muito tempo os migrantes foram considerados mão de obra desejável.
A crise econômica do Irã tem alterado esse cenário. Nos últimos anos, a desvalorização da moeda e a deterioração das condições econômicas levaram a um aumento nas tensões sociais. Antes mesmo de 2023, cerca de um milhão de afegãos já haviam deixado o país ou sido deportados.
Naquele momento, a maioria dos afetados eram homens solteiros. As discussões sobre a presença significativa de refugiados afegãos na sociedade iraniana tornaram-se frequentes na mídia local.
Migrantes foram culpabilizados pelo desabastecimento de itens essenciais como farinha e ovos, além de serem acusados de disseminar doenças infecciosas. Nas redes sociais, cresceu um discurso hostil contra os imigrantes afegãos.
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