Adeus ao asfalto comum: EUA, França, Alemanha e Suíça começam a testar rodovias solares capazes de gerar energia para bairros inteiros
O dado que parece inofensivo e revela muito mais do que você imagina.
Transformar rodovias e ferrovias em superfícies geradoras de eletricidade deixou de ser ficção científica em 2025. França, Alemanha, Suíça e Estados Unidos já têm projetos reais em operação ou avaliação, e o potencial teórico das estradas suíças sozinhas é suficiente para abastecer 20 mil residências.
Como funciona uma rodovia solar e o que diferencia esse asfalto do convencional?
Diferente dos painéis convencionais, as células fotovoltaicas em rodovias ficam sob uma camada de resina ou concreto translúcido que permite a passagem de luz enquanto suporta o peso dos veículos. Essa camada protetora é o que torna o sistema viável em superfícies de alto tráfego. O conceito existe há décadas, mas os materiais para torná-lo prático só amadureceram recentemente.
Em regiões urbanizadas, encontrar áreas livres para novos projetos energéticos pode ser um desafio. Por isso, transformar rodovias, acostamentos e estacionamentos em fontes de eletricidade surge como alternativa interessante. A possibilidade de gerar energia próxima aos centros urbanos reduz perdas na transmissão elétrica e amplia a geração distribuída. Em teoria, abasteceria iluminação pública, estações de recarga e bairros inteiros nas proximidades.

O que cada país já testou e quais resultados foram obtidos?
A França foi o primeiro país a inaugurar uma estrada solar, em 2016, com 1 km de extensão e 2.800 m² de área. O projeto foi desativado após dois anos de testes porque não gerou mais de 38 mil quilowatts-hora de energia, quando a estimativa era de 300 mil. Um dos fatores foi que a região escolhida recebe sol forte por apenas 44 dias por ano. A lição foi cara, mas essencial para calibrar os projetos seguintes.
Na Suíça, em abril de 2025, uma máquina de manutenção ferroviária adaptada desenrolou 48 painéis solares como um tapete entre os trilhos de uma linha ativa em Buttes. Pela primeira vez no mundo, uma ferrovia em operação comercial passou a gerar eletricidade. A startup Sun-Ways instalou até 1.000 metros quadrados de painéis por dia, sem exigir que a linha parasse de operar.
Os principais projetos em andamento pelos quatro países:
- Suíça: painéis removíveis da Sun-Ways instalados entre trilhos ferroviários ativos em Buttes, com 10 instalações em rodovias já operacionais.
- França: a SNCF, maior consumidora de eletricidade do país, assinou acordo com a Sun-Ways em fevereiro de 2026 para avaliar replicação do sistema.
- Alemanha: projeto PV-SÜD, em parceria com Áustria e Suíça, prevê instalação ao longo da rodovia Autobahn A81 em duas fases de três anos.
- Suíça e Alemanha: testes com barreiras acústicas fotovoltaicas ao longo de rodovias, já com legislação adaptada para incentivar o modelo.
- EUA: projetos-piloto em avaliação para superfícies solares em estacionamentos, ciclovias e áreas de circulação de baixo tráfego.
Quanto energia as rodovias solares conseguem gerar na prática?
Em teoria, os painéis ao longo das rodovias e ferrovias suíças poderiam produzir 100 GWh de eletricidade por ano, sendo 55 GWh nas estradas e 46 GWh nas ferrovias, suficiente para abastecer 20.000 residências. O potencial é real, mas a distância entre estimativa teórica e produção real foi exatamente o que derrubou o projeto francês de 2016.
Segundo um estudo chinês recente, os painéis solares nas marquises das rodovias poderiam gerar mais de quatro vezes mais eletricidade do que nos Estados Unidos. Eles também melhorariam a segurança viária porque reduziriam os acidentes causados por condições climáticas adversas. A cobertura sobre a pista protege veículos da chuva e do gelo enquanto capta energia simultaneamente.
| País | Abordagem | Status |
|---|---|---|
| 🇨🇭 Suíça | Painéis entre trilhos ferroviários (Sun-Ways) | Em operação desde 2025 |
| 🇫🇷 França | Acordo SNCF + Sun-Ways para ferrovias | Avaliação em 2026 |
| 🇩🇪 Alemanha | Projeto PV-SÜD na Autobahn A81 | Fase de testes — 3 anos |
| 🇺🇸 EUA | Superfícies em estacionamentos e ciclovias | Projetos-piloto em avaliação |
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Quais são as limitações reais que esses projetos ainda precisam superar?
O maior obstáculo não é técnico, é econômico. O custo de instalação de superfícies fotovoltaicas em rodovias ainda é muito superior ao de painéis convencionais em telhados ou campos abertos, que já são a opção mais barata de geração elétrica disponível. A eficiência por metro quadrado também cai quando os painéis ficam horizontais e recebem sombra de veículos e estruturas ao redor.
O modelo da Sun-Ways com painéis removíveis entre trilhos resolve parte do problema: a infraestrutura ferroviária já existe, a manutenção é feita sem parar a linha e o espaço entre os trilhos estava completamente ocioso. Segundo a swissinfo.ch, delegações da Coreia do Sul, Bélgica, Indonésia e Israel já visitaram a instalação piloto em Buttes, o que indica que o interesse global na solução vai muito além dos países que iniciaram os testes.
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