Cânceres de cabeça e pescoço: conheça os fatores de risco e os sinais de alerta

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Cânceres de cabeça e pescoço: conheça os fatores de risco e os sinais de alerta

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EdiCase
10 minutos de leitura 01.07.2026 11:34 comentários
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Cânceres de cabeça e pescoço: conheça os fatores de risco e os sinais de alerta

Alterações na região da cabeça e do pescoço que permaneçam por mais de duas semanas devem ser avaliadas por um profissional de saúde

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Cânceres de cabeça e pescoço: conheça os fatores de risco e os sinais de alerta
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Os cânceres de cabeça e pescoço incluem tumores que podem acometer a cavidade oral, a faringe, a laringe, as glândulas salivares, a cavidade nasal e os seios paranasais. Em comum, muitos deles compartilham fatores de risco importantes, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e, em alguns casos, infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Segundo um levantamento do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil, o câncer de cabeça e pescoço deve acometer anualmente de 35 mil a 40 mil brasileiros.

Durante o Julho Verde, campanha nacional voltada à conscientização sobre essas doenças, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) reuniu informações que ajudam a compreender os principais fatores de risco, reconhecer os sinais de alerta e entender por que o diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para aumentar as chances de cura.

“O grande desafio dos cânceres de cabeça e pescoço é que muitos sintomas iniciais podem parecer problemas simples e acabam sendo negligenciados. Quando o paciente chega ao especialista, frequentemente a doença já está em estágio avançado. Por isso, informação e conscientização continuam sendo ferramentas fundamentais para mudar esse cenário”, afirma Paulo Henrique Fernandes, presidente da SBCO.

1. Câncer de cabeça e pescoço não é uma única doença

O câncer de cabeça e pescoço engloba um conjunto de tumores que podem surgir em diferentes estruturas anatômicas da região. Entre os locais mais frequentemente acometidos, estão a cavidade oral, língua, gengivas, lábios, orofaringe, hipofaringe, nasofaringe, laringe, glândulas salivares e da tireoide, cavidade nasal e seios paranasais.

Apesar de muitos desses tumores compartilharem características biológicas semelhantes e terem origem no revestimento das mucosas, cada localização apresenta particularidades em relação aos sintomas, ao comportamento da doença, às estratégias terapêuticas e ao prognóstico.

Um câncer de língua, por exemplo, pode apresentar desafios muito diferentes daqueles observados em um tumor de laringe ou de glândula salivar. Conhecer essa diversidade é importante para entender que não existe um único câncer de cabeça e pescoço, mas, sim, um grupo de doenças que exige abordagens específicas para cada paciente.

2. A maioria dos casos ainda é diagnosticada tardiamente

O diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios dos cânceres de cabeça e pescoço. Isso acontece porque muitos sintomas iniciais podem ser confundidos com problemas comuns do dia a dia, como aftas, rouquidão, inflamações na garganta, sinusites ou infecções respiratórias. Como consequência, muitas pessoas demoram a procurar avaliação especializada.

Quando o câncer é identificado mais tardiamente, os tratamentos costumam ser mais complexos e podem exigir a combinação de cirurgia, radioterapia e medicamentos. Além disso, aumentam os riscos de impactos sobre funções importantes, como fala, mastigação, deglutição e respiração.

“Grande parte desses casos poderia ser diagnosticada mais cedo se a população conhecesse melhor os sinais de alerta. Feridas persistentes na boca, rouquidão prolongada ou caroços no pescoço merecem investigação. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores tendem a ser as chances de cura e menores os impactos do tratamento sobre funções importantes como fala, mastigação e deglutição”, afirma Paulo Henrique Fernandes.

3. Descobrir cedo aumenta significativamente as chances de sobrevivência

O impacto do diagnóstico precoce pode ser observado de forma objetiva nos dados de sobrevida. Informações do programa SEER (Surveillance, Epidemiology, and End Results), do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos (NCI), mostram que apenas 26% dos casos de câncer de cavidade oral e faringe são diagnosticados quando a doença ainda está restrita ao órgão de origem.

Quando isso acontece, a sobrevida relativa em cinco anos chega a aproximadamente 89%. Nos casos em que o tumor se espalhou para os linfonodos regionais, a sobrevida cai para cerca de 70%. Quando há metástases à distância, esse índice diminui para aproximadamente 36%. Esses números ajudam a entender por que especialistas insistem tanto na importância de reconhecer os sinais precoces da doença e procurar avaliação médica rapidamente diante de alterações persistentes.

4. Alguns sintomas merecem atenção imediata

Feridas na boca que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor ao engolir, sensação de algo preso na garganta e caroços no pescoço estão entre os principais sinais de alerta.

Embora muitas dessas manifestações possam estar relacionadas a condições benignas, a persistência dos sintomas exige investigação. A recomendação é que alterações na região da cabeça e do pescoço que permaneçam por mais de duas semanas sejam avaliadas por um profissional de saúde.

Nos cânceres da cavidade oral, uma lesão semelhante a uma afta pode ser o primeiro sinal da doença. Nos tumores da garganta e da laringe, a rouquidão persistente costuma ser um dos alertas mais importantes. No câncer de tireoide, por sua vez, é comum que o primeiro achado seja o surgimento de um nódulo na região anterior do pescoço, muitas vezes percebido pelo próprio paciente ou identificado durante exames de rotina.

5. O câncer de laringe tem características próprias dentro desse grupo

Embora faça parte dos cânceres de cabeça e pescoço, o câncer de laringe apresenta características que o diferenciam de muitos outros tumores da região. Historicamente, está fortemente associado ao consumo de tabaco e bebidas alcoólicas e tem como principal sinal de alerta a rouquidão persistente.

Ao contrário de tumores localizados em áreas menos visíveis, os cânceres que acometem as cordas vocais costumam provocar alterações na voz logo nas fases iniciais da doença. Isso cria uma oportunidade importante para o diagnóstico precoce, desde que o paciente procure avaliação médica ao perceber mudanças persistentes.

“A rouquidão que dura mais de duas semanas merece investigação, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo. Muitas vezes, esse é o primeiro sinal de um câncer de laringe ainda em fase inicial, quando as chances de cura são maiores e os tratamentos tendem a preservar melhor a função da voz”, explica Paulo Henrique Fernandes.

Além do controle da doença, o tratamento exige atenção especial à preservação da fala, da comunicação e da deglutição, aspectos diretamente relacionados à qualidade de vida dos pacientes.

Imagem de cigarro quebrado ao meio e conteúdo do cigarro formando a palavra stop em fundo azul claro
Parar de fumar reduz significativamente as chances de desenvolver diversos tipos de câncer (Imagem: chayanuphol | Shutterstock)

6. Tabaco e álcool continuam entre os principais fatores de risco

O tabagismo permanece como um dos fatores mais fortemente associados ao desenvolvimento de diversos cânceres de cabeça e pescoço. Cigarros convencionais, cigarros eletrônicos, dispositivos aquecidos, narguilés e outros produtos derivados do tabaco expõem o organismo a substâncias capazes de provocar alterações genéticas associadas ao surgimento do câncer.

O risco aumenta ainda mais quando o tabagismo está associado ao consumo de bebidas alcoólicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe quantidade segura para o consumo de tabaco ou de bebidas alcoólicas quando o assunto é prevenção do câncer.

“O risco não depende apenas da quantidade consumida, mas também do tempo de exposição. Além disso, quando tabaco e álcool estão associados, observamos um aumento importante do potencial carcinogênico”, explica Paulo Henrique Fernandes.

Embora o tabaco e o álcool continuem sendo os fatores de risco mais conhecidos, eles não explicam todos os casos. O crescimento dos tumores relacionados ao HPV tem mudado parte do perfil epidemiológico observado nas últimas décadas.

7. HPV está associado a uma parcela crescente dos tumores de orofaringe

Nas últimas décadas, especialistas passaram a observar um crescimento dos cânceres de orofaringe relacionados ao HPV, especialmente ao subtipo HPV-16. A região da orofaringe inclui estruturas como as amígdalas e a base da língua.

Diferentemente dos tumores tradicionalmente associados ao tabaco e ao álcool, os cânceres relacionados ao HPV costumam surgir em pacientes mais jovens e muitos deles nunca fumaram. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, incluindo sexo oral.

Em diversos países, o aumento desses tumores tem modificado o perfil epidemiológico dos cânceres de cabeça e pescoço. Isso explica por que muitos pacientes diagnosticados atualmente não apresentam os fatores de risco clássicos observados nas gerações anteriores.

Uma das principais estratégias de prevenção é a vacinação contra o HPV. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida gratuitamente em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos com condições específicas definidas pelo Ministério da Saúde.

“Hoje sabemos que existe uma diferença importante entre os tumores relacionados ao tabaco e aqueles associados ao HPV. São doenças que compartilham a mesma região anatômica, mas possuem características epidemiológicas e biológicas distintas. Por isso, ampliar a cobertura vacinal é uma medida importante para reduzir a ocorrência desses tumores nas próximas décadas”, afirma Paulo Henrique Fernandes.

8. O tratamento evoluiu e hoje oferece mais possibilidades terapêuticas

A cirurgia continua sendo uma das principais modalidades de tratamento para muitos cânceres de cabeça e pescoço, especialmente quando a doença é identificada em fases iniciais. Dependendo das características do tumor, a radioterapia, a quimioterapia, as terapias-alvo e a imunoterapia também podem fazer parte da estratégia terapêutica.

Nos últimos anos, avanços tecnológicos permitiram procedimentos cirúrgicos mais precisos, técnicas reconstrutivas mais sofisticadas e tratamentos sistêmicos capazes de oferecer benefícios para grupos específicos de pacientes. Além de controlar a doença, os especialistas buscam preservar funções importantes relacionadas à fala, mastigação, deglutição e respiração, reduzindo o impacto do tratamento na vida cotidiana.

9. Tratar o paciente com câncer envolve muito mais do que retirar o tumor

Os cânceres de cabeça e pescoço estão entre as doenças oncológicas que mais exigem atuação integrada de diferentes profissionais de saúde. Dependendo do caso, o cuidado pode envolver cirurgião de cabeça e pescoço, cirurgião oncológico, oncologista clínico, radioterapeuta, patologista, radiologista, dentista, estomatologista, fonoaudiólogo, nutricionista, fisioterapeuta, enfermeiro, psicólogo e assistente social.

A atuação conjunta dessas especialidades é fundamental porque a doença e seus tratamentos podem afetar funções essenciais para a vida cotidiana, como falar, mastigar, engolir, respirar, ouvir e se relacionar socialmente.

Nesse contexto, o dentista desempenha um papel importante na prevenção e no manejo de complicações bucais relacionadas ao tratamento. O estomatologista é um cirurgião-dentista especializado no diagnóstico das doenças da boca e frequentemente participa da identificação de lesões suspeitas e do diagnóstico precoce dos cânceres da cavidade oral.

O fonoaudiólogo auxilia na recuperação da voz e da deglutição, especialmente em pacientes tratados por tumores da laringe, faringe e cavidade oral. O nutricionista ajuda a manter o estado nutricional durante o tratamento, enquanto psicólogos e assistentes sociais contribuem para o enfrentamento dos impactos emocionais e sociais da doença.

“O sucesso do tratamento não é medido apenas pela eliminação do câncer. Também precisamos preservar a funcionalidade, autonomia, autoestima e a qualidade de vida dos pacientes. Esse é um trabalho que depende da integração de diferentes especialidades”, conclui Paulo Henrique Fernandes.

Por Bárbara Conti

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