5 tendências que marcam uma nova fase da estética facial
Da influência da inteligência artificial à busca por desfazer procedimentos, novas formas de enxergar a própria aparência chegam aos consultórios
A forma como as pessoas enxergam a própria aparência mudou. Filtros, inteligência artificial, redes sociais e a popularização dos procedimentos estéticos ampliaram as referências de beleza e, ao mesmo tempo, criaram expectativas sobre o que pode ou deveria ser modificado no rosto.
Para o médico e especialista em cirurgia, Dr. Georgen Hauagge, pós-graduado em dermatologia, medicina estética e visagismo, esse cenário exige uma avaliação cada vez mais individualizada.
Autor do livro “Seu rosto não é moda”, com mais de 15 anos de atuação em procedimentos estéticos na face, pálpebras, pescoço e transplante capilar, ele defende que a indicação de um procedimento deve partir das características e necessidades de cada paciente, e não apenas de uma tendência ou referência estética.
A partir da experiência clínica, o especialista destaca alguns dos fenômenos que ajudam a entender como essa relação com a estética facial está mudando. Confira!
1. A inteligência artificial cria “defeitos”
Hoje, pacientes chegam aos consultórios com imagens do próprio rosto modificadas por inteligência artificial, apresentando versões mais simétricas, rejuvenescidas ou consideradas “ideais”. A referência estética deixa de ser apenas uma celebridade e passa a ser uma versão digital da própria pessoa, uma imagem que, na prática, nunca existiu.
Esse fenômeno levanta uma questão importante: até que ponto uma imagem criada ou modificada por tecnologia pode alterar a percepção que alguém tem do próprio rosto? Para o Dr. Georgen Hauagge, antes de pensar em reproduzir uma imagem, é preciso entender se aquilo representa uma necessidade real ou uma expectativa criada digitalmente.
2. O peso dos procedimentos acumulados
Preenchimentos, bioestimuladores e outros procedimentos minimamente invasivos podem ser boas opções para determinados pacientes e situações. O problema está em tratar essas técnicas como substitutas permanentes da cirurgia ou repetir intervenções ao longo dos anos sem considerar como o rosto está envelhecendo como um todo.
Quando o paciente chega ao consultório para uma cirurgia depois de anos realizando procedimentos, o médico precisa avaliar também esse histórico. Volume de preenchimentos, alterações na pele e nas estruturas faciais e mudanças provocadas pelo envelhecimento podem interferir no planejamento e na estratégia cirúrgica.
A questão, portanto, não é ser contra procedimentos minimamente invasivos, mas entender quando eles fazem sentido e quando uma abordagem diferente passa a ser mais adequada para aquele paciente.
3. Pacientes buscam desfazer procedimentos
Depois de anos de preenchimentos, aumento de volumes e mudanças no contorno facial, o Dr. Georgen Hauagge afirma que alguns pacientes chegam aos consultórios querendo justamente reduzir ou reverter intervenções anteriores.
A chamada “desarmonização” pode envolver desde a dissolução de preenchimentos até estratégias para recuperar proporções e características naturais do rosto. O movimento também revela uma mudança na expectativa dos pacientes: em vez de buscar uma transformação cada vez maior, cresce o interesse por recuperar a própria identidade facial.

4. Prevenção deve começar cada vez mais cedo
Botox preventivo, bioestimuladores e tecnologias voltadas à qualidade da pele fazem parte da chamada prejuvenation, movimento que antecipa cuidados para tentar retardar ou suavizar sinais do envelhecimento.
A prevenção, porém, não significa que todo jovem precise de procedimentos. Para o médico, existe uma diferença entre cuidar precocemente da pele e transformar sinais que ainda nem existem em problemas que precisam ser tratados.
A indicação deve considerar idade, características individuais, histórico e necessidades reais de cada paciente.
5. O celular muda a percepção do próprio rosto
Selfies, lentes das câmeras, distância da câmera, iluminação e filtros podem alterar a maneira como percebemos as proporções do rosto. Nariz, mandíbula, olhos e contorno facial podem parecer diferentes dependendo de como a imagem foi captada.
Quando essas imagens passam a ser usadas como referência para procedimentos, existe o risco de transformar uma distorção fotográfica em uma suposta característica que precisa ser corrigida. Por isso, a avaliação presencial continua sendo fundamental para diferenciar uma alteração anatômica real de uma percepção criada pela câmera.
Naturalidade como ponto de partida
Em meio a tantas referências digitais e possibilidades de intervenção, o Dr. Georgen Hauagge defende que a estética facial não deve partir da pergunta “qual procedimento está em alta?”, mas de uma avaliação individual: o que realmente incomoda, por que isso acontece e quando ou qual abordagem faz sentido para aquele paciente.
A busca por resultados naturais, nesse contexto, não significa abandonar os procedimentos estéticos. Significa utilizá-los de forma planejada, respeitando a anatomia, a expressão e a identidade de cada pessoa.
Por Dielin da Silva
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