Vizinha de Florianópolis por uma ponte: a cidade fundada por 182 casais açorianos guarda o teatro mais antigo de Santa Catarina
A herança açoriana continua presente na arquitetura e nos costumes
Quem cruza a ponte no sentido continente costuma achar que sai da parte interessante da Grande Florianópolis. São José desmente isso em poucos quarteirões: o centro histórico mantém casarões coloridos do século XVIII, um teatro em funcionamento desde 1854 e a única escola de oleiros em atividade na América Latina.
Por que São José é a quarta cidade mais antiga de Santa Catarina?
A data de fundação explica a posição. Em 26 de outubro de 1750, 182 casais açorianos vindos das ilhas do Pico, Terceira, São Jorge, Faial, Graciosa e São Miguel fundaram o povoado, conforme a Prefeitura de São José. O lugar virou freguesia seis anos depois, vila em 1833 e cidade em 1856.
Há ainda um marco que quase ninguém associa ao litoral catarinense: em 1829, o município recebeu o primeiro núcleo de colonização alemã do estado. A soma de açorianos e alemães aparece até hoje no sotaque de bairros como o Sertão do Maruim e na mesa, onde pratos de origem europeia dividem espaço com a cozinha de peixe da Baía Norte.

O teatro de 1854 e a escola de oleiros que não existe em outro país da região
O Theatro Adolpho Mello, na Praça Hercílio Luz, é a casa de espetáculos mais antiga de Santa Catarina e a quarta do país, segundo a Prefeitura de São José. O nome homenageia um violinista josefense descendente dos primeiros açorianos, e o prédio segue ativo como escola de teatro e dança, com turmas gratuitas para estudantes da rede pública.
A outra herança é feita de barro. A cidade foi grande produtora e exportadora de louça, tradição trazida pelos açorianos e concentrada no bairro da Ponta de Baixo. Das cerca de 20 olarias que funcionavam nos anos 1950 restam quatro, e a técnica sobrevive na Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, criada em 1992 e hoje com mais de 190 alunos em cursos gratuitos de roda e modelagem.

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O que fazer entre o centro histórico e a orla da Baía Norte
O município é cortado pela BR-101 e banhado pelas baías Norte e Sul, o que coloca praia urbana, centro antigo e comércio de grande porte a poucos minutos uns dos outros. Estes são os pontos que organizam um dia na cidade:
- Beira-Mar de São José: orla urbanizada com ciclovia, pista de caminhada, quadras e vista frontal para os morros de Florianópolis, principal área de lazer dos moradores.
- Centro Histórico: conjunto de casarões luso-brasileiros em volta da Praça Hercílio Luz, com igreja matriz e ruas que preservam o desenho da antiga freguesia.
- Museu Histórico Municipal: instalado em sobrado do centro, reúne o acervo que conta a formação da cidade e das famílias que a ocuparam.
- Casa da Cultura Nésia Melo da Silveira: espaço de exposições e atividades culturais dentro do núcleo histórico.
- Kobrasol e Campinas: bairros verticalizados com calçadão, restaurantes, shoppings e vida noturna, o lado urbano de São José.
Quem busca morar ou passear em Santa Catarina, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Acordei e Fui, que conta com mais de 13 mil visualizações, onde a apresentadora mostra como é viver em São José:
Como é o clima de São José ao longo do ano
O padrão é subtropical, com as quatro estações bem marcadas e chuva distribuída por todos os meses. O inverno traz mínimas de um dígito e o verão concentra o calor úmido típico do litoral catarinense:
Temperaturas aproximadas. As condições podem variar de um ano para o outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A cidade antiga que cresceu colada na capital
São José conseguiu algo raro na Grande Florianópolis: virou centro urbano completo, com comércio, hospital de referência e bairros verticalizados, sem apagar a vila açoriana que deu origem a tudo. O trajeto entre um sobrado de 1750 e um calçadão movimentado leva minutos.
Você precisa atravessar a ponte e conhecer São José, a cidade que a maioria só vê pela janela do carro a caminho da ilha.
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