A cidade vizinha de Curitiba que figura entre as melhores do país para viver
A proximidade com uma grande capital se soma a uma estrutura urbana própria
Quem desembarca no aeroporto de Curitiba não pousa em Curitiba. O terminal fica inteiro dentro de São José dos Pinhais, município vizinho que combina duas paisagens improváveis no mesmo mapa: linhas de montagem de montadoras globais de um lado, estradas de terra com adegas familiares e cafés coloniais do outro. A distância entre uma coisa e outra é de poucos minutos de carro.
Por que o aeroporto da capital paranaense fica em outra cidade?
Porque foi construído onde havia área plana e livre, ainda nos anos 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. O Aeroporto Internacional Afonso Pena opera há mais de sete décadas e é um dos maiores do país, com movimento anual superior a 5 milhões de passageiros, conforme o Viaje Paraná, portal oficial de turismo do estado.
Essa posição explica boa parte do desenho econômico local. O município é cortado por rodovias que ligam o Sul ao restante do país e virou endereço de fábricas que dependem de logística rápida, entre elas unidades da Volkswagen e da Renault. Na prática, o passageiro que pega o táxi no desembarque já está em uma das maiores economias industriais do Paraná.

Como uma colônia italiana sobreviveu ao lado das fábricas?
Sobreviveu porque virou negócio. A Colônia Mergulhão fica a cerca de 10 km do centro do município e foi formada por imigrantes vindos principalmente do Vêneto e do norte da Itália, entre 1870 e 1920, segundo a Prefeitura de São José dos Pinhais.
No fim do século passado, a comunidade recebeu o programa de turismo rural que estruturou o Caminho do Vinho, percurso de mais de 6 km pela antiga Estrada do Mergulhão, com propriedades mais afastadas e casas históricas incorporadas à rota. O roteiro foi selecionado pelo projeto Talentos do Brasil Rural, do Ministério do Turismo, entre 23 roteiros do país voltados à valorização da agricultura familiar.

O que percorrer entre as adegas e o centro histórico?
O passeio mistura taça de vinho colonial, mesa de fogão a lenha e prédios antigos no miolo urbano. Confira abaixo o que costuma guiar a visita:
- Caminho do Vinho: adegas familiares que produzem vinho, suco, graspa e licores, além de salames, queijos e compotas vendidos na porta da propriedade.
- Cafés coloniais: mesas fartas com cucas, tortas salgadas, geleias e pães caseiros, herança das famílias italianas e polonesas.
- Casa da Cultura Polonesa: na Colônia Murici, expõe objetos das famílias colonizadoras.
- Centro Histórico e Cultural: reúne a Igreja Matriz, a biblioteca municipal e o Museu Atílio Rocco, com acervo de mais de 10 mil itens.
- Caixa d’água da Praça Getúlio Vargas: construída em 1966 e tombada como patrimônio em 2018.
Quem pensa em viver perto de Curitiba vai curtir este vídeo do canal Fomos Viajar, com mais de 12 mil visualizações, que percorre São José dos Pinhais.
Onde a cidade aparece nos rankings nacionais?
Entre as 50 melhores do país, entre as maiores cidades avaliadas. No Índice de Desafios da Gestão Municipal, elaborado pela consultoria MacroPlan com as 100 maiores cidades brasileiras, o município apareceu em 32º lugar, resultado divulgado pela Prefeitura, que considera emprego, segurança, saúde, educação e saneamento.
O saneamento é justamente um dos pontos que puxam a nota: o índice de esgoto coletado e tratado no município ficou acima da média do estado, conforme o mesmo levantamento. É um perfil parecido com o de cidades que atraem moradores pela qualidade de vida, com a diferença de estar colada a uma capital.
Como o clima de São José dos Pinhais se comporta ao longo do ano?
A cidade fica no primeiro planalto paranaense, perto dos 900 metros de altitude, e acompanha o padrão curitibano, com chuva o ano inteiro e junho passando de 100 mm de média. Veja abaixo o comportamento ao longo do ano:
Temperaturas e médias aproximadas com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes do passeio.
Vale trocar o desembarque pela estrada de terra
Poucos lugares permitem sair de um aeroporto internacional e, em menos de 40 minutos, estar em uma adega de família tomando vinho feito com uva colhida no quintal. É o tipo de contraste que só existe em cidade que cresceu rápido sem apagar a zona rural.
Você precisa reservar um domingo e percorrer o Caminho do Vinho com calma, parando em pelo menos duas adegas e um café colonial antes de voltar para a capital.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)