Única brasileira entre as 10 cidades mais acolhedoras do mundo: a cidade do ouro goiano onde ruas de pedra levam a cachoeiras de até 42 metros
As ruas de pedra e os casarões coloridos preservam o charme do centro histórico
Há destinos que conquistam pela paisagem e outros pelo jeito de receber. Pirenópolis, no interior de Goiás, faz as duas coisas: o antigo arraial do ouro, a cerca de 150 km de Brasília, mistura casarões coloridos, mesas fartas e cachoeiras escondidas em fazendas aos pés da serra que lhe deu o nome.
Por que a cidade goiana entrou na lista das mais acolhedoras do mundo?
A escolha veio de quem se hospedou ali. Na 14ª edição do Traveller Review Awards, a Booking.com analisou mais de 370 milhões de avaliações verificadas e apontou dez cidades do planeta onde o visitante se sente mais bem recebido. Pirenópolis foi a única brasileira da lista, ao lado de Montepulciano, na Itália, e Takayama, no Japão.
O critério explica o tamanho do feito. A plataforma mediu a proporção de hospedagens premiadas em cada destino, aquelas com nota média de pelo menos 8 em 10, e só aceitou cidades com 200 ou mais estabelecimentos reconhecidos. Em vez de premiar um hotel famoso, o título reconhece uma rede inteira de anfitriões que mantém o padrão alto de ponta a ponta.

Os números por trás dessa fama, da hotelaria à geografia, mostram que o acolhimento goiano tem raízes antigas:
Como um arraial do ouro virou berço da imprensa no Brasil Central?
Pirenópolis nasceu da mineração no século XVIII, com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, às margens do Rio das Almas. Quando o ouro rareou, a vila trocou a bateia pela agricultura e pelo comércio, e em 1890 ganhou o nome atual em homenagem à Serra dos Pireneus, que domina o horizonte da cidade.
O capítulo mais surpreendente veio antes disso. Em 1830, o comerciante Joaquim Alves de Oliveira montou ali uma tipografia e lançou A Matutina Meiapontense, que o Governo de Goiás registra como o primeiro jornal de todo o Centro-Oeste. O periódico circulou por quatro anos e chegava a leitores de Mato Grosso e Minas Gerais, um alcance raro para uma vila do interior naquele tempo.

O que fazer em Pirenópolis entre cachoeiras, serra e casario?
O centro histórico se percorre a pé em poucas horas, entre igrejas coloniais, o Theatro de Pirenópolis e a Rua do Lazer, endereço que concentra bares e restaurantes em casarões antigos. À noite, é ali que a cidade mostra o lado boêmio que ajudou a construir sua fama.
As cachoeiras ficam fora do centro, distribuídas em duas rotas principais, a Rodovia dos Pireneus e a GO-338, de acordo com o guia do Melhores Destinos. A maioria tem acesso curto até a água, o que facilita o passeio de famílias inteiras.
Cachoeiras, mesa de fazenda e um mirante no alto da serra
Entre quedas d’água, fazendas históricas e mirantes, alguns lugares resumem bem o espírito da região:
- Cachoeira do Rosário: a maior queda livre da região, com 42 metros de água cristalina descendo da encosta até um poço cercado de mata.
- Cachoeira do Abade: queda de 22 metros, prainha de areia e poço em tons de verde, num complexo com estrutura para passar o dia.
- Cachoeira das Araras: uma das poucas com rampa que leva cadeirantes até a água, opção rara para quem tem dificuldade de locomoção.
- Pico dos Pireneus: divide as águas das bacias dos rios Paraná e Tocantins, segundo o Parque Estadual dos Pireneus. O pôr do sol lá em cima é programa obrigatório.
- Fazenda Babilônia: antigo engenho de açúcar com mais de 200 anos, aberto a visitantes que querem provar quitutes feitos com receitas do passado.
- Cavalhadas: cavaleiros com máscaras e roupas coloridas encenam torneios medievais na Festa do Divino, tradição registrada em 2010 como patrimônio imaterial do Brasil.
As ruas históricas, as atrações e os passeios de Pirenópolis aparecem neste vídeo do canal Rolê Família, que apresenta lugares para conhecer nessa cidade de Goiás, famosa pelo patrimônio colonial e pelas paisagens naturais:
Como se preparar para trilhas, estradas de terra e banhos de cachoeira?
O carro faz diferença. Nenhuma cachoeira fica no centro, a Rodovia dos Pireneus é toda de terra e, na GO-338, o asfalto termina antes do acesso final às quedas. Como as cachoeiras estão em áreas particulares, todas cobram taxa de visitação, então vale separar parte do orçamento diário para os ingressos.
Quem sai de Goiânia percorre cerca de 120 km, e de Brasília o caminho segue pela BR-070. Calçado com boa aderência ajuda nas pedras molhadas, e poços rasos, como o da Cachoeira do Lázaro, são os mais tranquilos para crianças. Como boa parte dos caminhos é de terra, o calendário de chuvas pesa tanto quanto o roteiro na escolha da data.

Qual é a melhor época para visitar Pirenópolis?
Pirenópolis tem duas estações bem marcadas: chuvas fortes de novembro a março e uma seca longa de maio a setembro. O período seco deixa estradas de terra e trilhas mais firmes, enquanto a temporada chuvosa veste o cerrado de verde e engrossa os rios.
Pirenópolis em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do tempo para Pirenópolis.
Pirenópolis recebe como quem abre a porta de casa
Poucas cidades transformam hospitalidade em reputação internacional sem perder o ritmo do interior. Em Pirenópolis, o ouro ficou no passado, mas a herança continua nas fachadas coloridas, nas mesas de fazenda e nas trilhas que terminam em água fresca.
Você precisa conhecer Pirenópolis e descobrir por que viajantes do mundo inteiro voltam de lá com a sensação de terem sido recebidos em casa.
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