Uma hidrelétrica de 261 MW convive com cachoeiras de 100 metros nessa cidade amazônica onde 529 espécies de aves já foram registradas
O encontro entre energia, floresta e cachoeiras torna o lugar ainda mais curioso
Em tupi, a palavra remete à palmeira fibrosa. Na língua apiacá, significa água de pedra. As duas versões descrevem o mesmo lugar: Aripuanã, extremo noroeste de Mato Grosso, cidade encravada na floresta amazônica onde um rio despenca por paredões rochosos bem ao lado das primeiras casas. Chegar até lá exige quase mil quilômetros de estrada saindo de Cuiabá, boa parte deles em chão batido.
O que são o Salto Dardanelos e a Cachoeira das Andorinhas
Os dois formam um único complexo de quedas no rio Aripuanã, com cerca de 100 metros de altura e volume alto o ano inteiro. A Cachoeira das Andorinhas leva esse nome pelo bando de aves que dorme nas paredes molhadas e revoa ao entardecer.
O acesso ao Salto Dardanelos é por trilha, com trecho suspenso e pedras escorregadias, segundo o portal Descubra Mato Grosso, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. As Andorinhas podem ser vistas do mirante ou pelo pé da queda. Aripuanã integra a Região Turística Vale do Juruena, ao lado de Juína e Juruena, no mapa validado pelo Ministério do Turismo.

A usina com a melhor relação entre área alagada e energia gerada do país
A Usina Hidrelétrica Dardanelos entrou em operação comercial em 2011 e tem 261 mil kW de potência instalada, distribuídos em cinco unidades geradoras, quatro de 58 mil kW e uma de 29 mil kW, conforme a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager-MT), que fiscaliza o empreendimento por delegação da Agência Nacional de Energia Elétrica.
O detalhe técnico incomum está no reservatório: 0,24 km², o que dá à usina a melhor relação entre área inundada e energia produzida do Brasil. Um espelho d’água menor que muitas fazendas sustenta capacidade suficiente para abastecer cerca de 1,4 milhão de pessoas. As quedas continuam ali, a poucos metros das turbinas. A construção, ainda assim, foi contestada por ter alterado a paisagem e o entorno de sítios arqueológicos.

Por que passarinheiros do mundo inteiro descem até o Vale do Juruena
O WikiAves, maior banco de dados de avifauna do país, contabiliza 529 espécies registradas no município, com mais de 4,5 mil registros fotográficos. É um dos maiores números do estado, atrás apenas de Alta Floresta e Sinop.
O Santuário Pouso Milagroso concentra boa parte dessas observações, com araras, tucanos, papagaios e corujas. Vale lembrar a escala do território: quando foi criado, em 1943, o município tinha 145.510 km², um dos maiores do mundo, e depois foi sendo fatiado em cidades como Alta Floresta, Apiacás, Cotriguaçu e Juína. A região é também território tradicional dos povos Cinta Larga e Arara.
Trilhas, balneários e esportes na água de pedra
A cidade cabe em um roteiro de poucos dias, porque os atrativos estão quase todos a caminhada ou minutos de carro do centro. O rio permite prática esportiva em corredeiras.
- Mirante Salto das Andorinhas: vista panorâmica das quedas e da revoada no fim da tarde.
- Trilha Circuito das Águas: percurso integrado ao roteiro Água de Pedra, estruturado em 2023 pelo Sebrae Mato Grosso junto à Prefeitura de Aripuanã.
- Balneário Oásis: acesso gratuito, camping, quiosques, quadras e dezenas de pequenas quedas.
- Balneário Primavera: cercado de mata nativa, indicado para boia cross nas corredeiras.
- Cachoeira dos Namorados: uma das trilhas menos movimentadas do circuito.
- Rafting e caiaque no rio Aripuanã: o mesmo curso d’água que forma as quedas oferece trechos navegáveis.
Quem busca aventura em meio à natureza, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Adriano Soares – repórter, que conta com mais de 68 mil visualizações, onde Adriano Soares mostra as cachoeiras Andorinhas e Dardanelos em Aripuanã, no Mato Grosso:
Qual a melhor época e como chegar?
A diferença entre as estações é radical em volume de chuva. Março passa dos 280 mm de média, e a seca de meio de ano abre as trilhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
São aproximadamente 950 km de Cuiabá, com asfalto na maior parte do trajeto e um trecho final de estrada de terra. Há ligação de ônibus a partir da capital e voos apenas por táxi aéreo. Quem vai entre dezembro e março deve contar com chuva diária e estradas mais lentas.
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Vá ver a água caindo de pedra
Aripuanã reúne em um raio de poucos quilômetros uma catarata amazônica, uma das maiores listas de aves do Brasil e uma usina que aprendeu a caber em um quarto de quilômetro quadrado. Nada disso aparece em roteiro pronto de agência.
Você precisa encarar os quase mil quilômetros até o Vale do Juruena e ficar em silêncio no mirante quando as andorinhas levantam voo.
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