O homem que passou 14 meses perdido em um barquinho no oceano e reapareceu a mais de 10 mil km de distância
Uma tempestade destruiu os planos de uma pescaria e iniciou uma travessia impossível por quase toda a extensão do Pacífico
Em novembro de 2012, uma pescaria que deveria durar apenas algumas horas terminou em uma das maiores histórias de sobrevivência já registradas no mar. Depois que uma tempestade arrastou um pequeno barco para longe da costa mexicana, o horizonte deixou de oferecer qualquer referência, enquanto as chances de resgate diminuíam a cada novo dia.
Como uma pescaria comum terminou no meio do Oceano Pacífico?
Salvador Alvarenga era um pescador salvadorenho experiente que trabalhava na costa do estado mexicano de Chiapas. Em 17 de novembro de 2012, ele saiu para pescar tubarões acompanhado do jovem Ezequiel Córdoba, usando uma embarcação aberta de fibra de vidro com pouco mais de sete metros de comprimento.
Uma tempestade violenta atingiu a região e manteve os dois homens afastados da costa. O motor apresentou problemas, os equipamentos de comunicação deixaram de funcionar e o barco perdeu grande parte do material de pesca. Mesmo após conseguirem falar brevemente com o patrão, eles não forneceram uma posição precisa antes de o rádio ficar sem energia.
Como começaram os 438 dias à deriva no Pacífico?
Sem motor, vela ou equipamento de navegação funcional, o barco passou a ser carregado pelas correntes e pelos ventos. A revelação do tamanho daquela tragédia surgiu rapidamente: os pescadores não estavam apenas atrasados, mas presos em uma embarcação sem cabine, expostos ao Sol, às chuvas e às mudanças constantes do oceano.
Nos primeiros dias, eles consumiram o gelo e os alimentos que ainda restavam, mas os suprimentos desapareceram rapidamente. A partir daquele momento, cada refeição dependeria do que conseguissem capturar ao redor do barco, enquanto cada gole de água seria determinado pela chegada imprevisível das chuvas.
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O que Salvador Alvarenga fez para conseguir alimento e água?
Sem anzóis ou redes adequadas, Alvarenga passou a capturar peixes, tartarugas, pequenos tubarões e aves marinhas com as próprias mãos. Ele aprendeu a permanecer quase imóvel até que os animais se aproximassem da embarcação, aproveitando qualquer oportunidade para agarrá-los antes que escapassem.
- Recolher água da chuva em recipientes improvisados
- Capturar peixes que nadavam perto da embarcação
- Agarrar aves marinhas que pousavam no barco
- Aproveitar tartarugas encontradas na superfície
- Consumir partes dos animais antes que estragassem
- Proteger-se do Sol dentro de uma pequena caixa usada para equipamentos
Para complementar o tema, o vídeo abaixo apresenta uma entrevista com Salvador Alvarenga sobre sua experiência no Oceano Pacífico, ajudando a compreender melhor os desafios físicos e emocionais enfrentados durante a longa deriva:
Quando não chovia, a falta de água se tornava o maior perigo. Em situações extremas, os homens recorreram a líquidos obtidos dos animais capturados e a outras medidas desesperadas. O calor durante o dia, o frio noturno e o contato permanente com água salgada causavam feridas, fraqueza e dores difíceis de controlar.
Até onde os 438 dias à deriva levaram o pequeno barco?
A embarcação partiu da costa do México e cruzou praticamente toda a extensão do Pacífico tropical. Segundo um relato publicado pelo The Guardian, Alvarenga estava a cerca de 6.700 milhas, ou mais de 10.700 quilômetros, do ponto de partida quando finalmente alcançou as Ilhas Marshall.
O deslocamento não ocorreu em linha reta nem foi controlado pelo pescador. Correntes marítimas e ventos empurraram o barco lentamente para oeste durante mais de um ano. A distância final varia conforme o método de cálculo, mas todas as estimativas mostram uma travessia superior a 10 mil quilômetros.
| Momento da história | Informação registrada |
|---|---|
| Saída para a pesca | 17 de novembro de 2012 |
| Local de partida | Costa de Chiapas, no México |
| Tempo no oceano | 438 dias |
| Distância estimada | Mais de 10.700 quilômetros |
| Chegada à terra | 30 de janeiro de 2014 |
| Destino final | Atol de Ebon, nas Ilhas Marshall |
Por que Salvador Alvarenga terminou a viagem completamente sozinho?
Ezequiel Córdoba adoeceu durante os primeiros meses e passou a rejeitar os alimentos crus que mantinham os dois vivos. Seu estado físico piorou progressivamente até que ele morreu no barco. Alvarenga permaneceu alguns dias com o corpo do companheiro antes de entregá-lo ao mar, seguindo a promessa de não utilizá-lo como alimento.
A partir daquele momento, o pescador enfrentou não apenas fome e sede, mas também isolamento absoluto. Para acompanhar o tempo, observava as fases da Lua e conversava consigo mesmo. Ele relatou ter enfrentado períodos de profundo desânimo, mas manteve a esperança de encontrar terra ou ser visto por alguma embarcação.

Como terminaram os 438 dias à deriva no oceano?
Depois de contar aproximadamente 15 ciclos lunares, Alvarenga percebeu mudanças ao redor do barco. O número de aves aumentou, galhos apareceram na água e uma pequena faixa de terra surgiu no horizonte. Sem confiar que a embarcação alcançaria a praia, ele abandonou o barco e nadou até uma ilha pertencente ao Atol de Ebon.
Moradores encontraram o pescador desorientado, enfraquecido e incapaz de se comunicar no idioma local. A data era 30 de janeiro de 2014, exatamente 438 dias após sua saída do México. A viagem terminou a milhares de quilômetros de distância e entrou para a história como uma das mais longas sobrevivências conhecidas de uma pessoa à deriva em uma pequena embarcação.
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