Sexta vez consecutiva como Tree Cities of the World: a capital mais arborizada que conquista moradores do Brasil inteiro
A presença de árvores ajuda a mudar o clima e a paisagem urbana
Uma capital brasileira que cresceu sobre a terra vermelha do Cerrado, mantém uma aldeia indígena dentro do perímetro urbano e figura entre as 59 cidades mais arborizadas do mundo. Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, tem quase 900 mil habitantes, largas avenidas planejadas e uma identidade cultural que mistura influência indígena, paraguaia, boliviana e da imigração japonesa e árabe. Fundada em 1899 por colonos mineiros, virou porta de entrada para o Pantanal, para Bonito e para a Serra da Bodoquena.
Como Campo Grande virou capital do Mato Grosso do Sul?
Segundo o registro do Ministério do Turismo, a cidade foi fundada em 26 de agosto de 1899 por colonos mineiros que desbravaram os vastos campos nativos do Cerrado. O nome vem justamente da paisagem que os pioneiros encontraram, extensos campos de terra roxa cercados por vegetação típica do bioma.
No início do século XX, a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil deslocou o eixo comercial da região, que até então gravitava em torno de Corumbá. A cidade ganhou densidade populacional e se firmou como polo administrativo. Em 11 de outubro de 1977, com a divisão do antigo estado de Mato Grosso, Campo Grande virou capital do recém-criado Mato Grosso do Sul. O apelido de Cidade Morena vem da cor avermelhada do solo, rica em óxido de ferro, característica que dá o tom a ruas, praças e construções.

Por que Campo Grande é a única capital brasileira reconhecida seis vezes seguidas como Cidade Árvore do Mundo?
O reconhecimento vem do programa Tree Cities of the World, iniciativa conjunta da Arbor Day Foundation, organização norte-americana, e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), lançada em 2019. Segundo notícia oficial da CGNotícias, portal oficial da Prefeitura de Campo Grande, a capital é a única do Brasil integrante do programa desde a sua fundação, tendo recebido o selo em todas as edições consecutivas.
Em 2025, Campo Grande foi reconhecida pela sexta vez consecutiva no programa, que reúne apenas 210 cidades em 24 países ao redor do mundo. Para receber o selo, os municípios precisam cumprir cinco critérios: ter um órgão responsável pela gestão das árvores urbanas, possuir leis específicas de arborização, destinar recursos para o manejo, manter dados atualizados sobre áreas arborizadas e realizar ações anuais de celebração das árvores. Assim como outras cidades brasileiras que combinam infraestrutura urbana e áreas verdes preservadas, Campo Grande figura ao lado de destinos paulistas como o município com 90 mil árvores e 113 praças no interior paulista.
O Parque das Nações Indígenas, um dos maiores parques urbanos do Brasil, ocupa 119 hectares com bosques, lagos, museu, teatro de arena e pistas esportivas. Abriga também o Memorial da Cultura Indígena, em formato de oca, dedicado ao povo Terena.

O que a Aldeia Marçal de Souza revela sobre a cidade?
Campo Grande abriga uma peculiaridade rara entre as capitais brasileiras: a Aldeia Marçal de Souza, considerada a única aldeia indígena urbana do país. Ocupa uma área na região oeste da cidade e reúne famílias das etnias Terena e Guarani-Kaiowá, que mantêm rituais, artesanato e ensino da língua tradicional dentro do perímetro urbano.
O nome homenageia o líder indígena Marçal de Souza Tupã-i, do povo Terena, assassinado em 1983 em Antônio João por defender os direitos indígenas. A aldeia é ponto de visitação organizada, com venda de artesanato em cerâmica, cestaria e tecelagem, incluindo peças utilitárias das produções Kadiwéu e Terena.

O que ver em Campo Grande?
A capital preserva marcos que contam a formação da cidade e reúne áreas verdes espalhadas por vários bairros. Veja abaixo os principais atrativos:
- Parque das Nações Indígenas: 119 hectares com bosques, lagos, teatro de arena e museu.
- Memorial da Cultura Indígena: prédio em formato de oca dedicado aos povos originários, dentro do Parque das Nações Indígenas.
- Museu José Antônio Pereira: casa do fundador da cidade, com acervo sobre a colonização.
- Morada dos Baís: centro cultural em casarão histórico do início do século XX.
- Horto Florestal: antiga propriedade do fundador, preserva vegetação típica do Cerrado dentro da cidade.
- Feira Central: templo da gastronomia local, com culinária japonesa, paraguaia e brasileira sob o mesmo teto.
- Praça Ari Coelho: coração do centro histórico, com o Monumento ao Carro de Boi, símbolo da colonização.
Quem quer descobrir o lado verde de Campo Grande, vai curtir esse vídeo do canal Marquinho Pelo Mundo, com mais de 5,7 mil visualizações, que reúne atrações e dicas para conhecer a capital de Mato Grosso do Sul:
Como é a gastronomia da Cidade Morena?
Confira os pratos e produtos que refletem a mistura cultural da capital:
- Sobá: sopa de macarrão japonês servida na Feira Central, patrimônio imaterial da cidade.
- Chipa: pãozinho de queijo em formato de anel, herança paraguaia.
- Saltenha: pastel assado de origem boliviana, recheado com carne, azeitona e ovo.
- Espetinho de carne: tradição da cidade, servido nas esquinas ao final da tarde.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de milho, queijo e cebola.
- Tereré: bebida gelada de erva-mate, presente em todo canto da cidade.
Quem quer descobrir o que visitar na Cidade Morena, vai curtir esse vídeo do canal Marcos Pierry, com mais de 33 mil visualizações, que mostra atrações de Campo Grande:
Como é o clima em Campo Grande?
A capital tem clima tropical, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. A altitude de 592 metros ameniza a temperatura em relação a outras cidades da região. Veja abaixo a distribuição sazonal:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Campo Grande?
A cidade fica a 1.130 km de São Paulo e a 1.100 km de Brasília, com acesso pelas rodovias BR-262, BR-060 e BR-163. O Aeroporto Internacional de Campo Grande recebe voos diretos das principais capitais brasileiras e é a porta de entrada mais utilizada para quem quer conhecer o Pantanal, Bonito e a Serra da Bodoquena.
Conheça a capital que virou porta do Pantanal
Campo Grande é o retrato de uma capital jovem construída sobre traços indígenas, imigração diversa e planejamento urbano incomum para o Centro-Oeste. Nas avenidas largas, nos parques com bosques nativos e na feira que serve sobá ao lado de saltenha, a cidade traduz a diversidade cultural que só a fronteira produz.
Você precisa provar um sobá na Feira Central e caminhar pelo Parque das Nações Indígenas ao entardecer para entender por que essa capital sul-mato-grossense virou modelo de arborização mundial.
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