Primeira região de vinhos finos reconhecida fora da Serra Gaúcha: a cidade da fronteira que virou destino de enoturismo no Pampa
Vinhedos e campos formam uma paisagem diferente da serra tradicional
Quando se fala em vinho brasileiro, quase todo mundo pensa em um único trecho do Rio Grande do Sul. Bagé, a poucos quilômetros do Uruguai, está no centro da região que quebrou esse monopólio ao conquistar o primeiro selo de origem concedido a vinhos finos fora da serra.
Por que os vinhos dessa região ganharam selo de origem?
Porque o clima e o solo produzem uvas com características próprias. Conforme a Embrapa Uva e Vinho, a Indicação de Procedência Campanha Gaúcha foi reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2020, depois de um processo iniciado em 2013 e de um pedido protocolado em 2017.
A caracterização técnica explica o resultado. Ainda segundo a Embrapa, a área fica no bioma Pampa e é a região produtora mais quente e com menor volume de chuvas do Sul do país, com vinhedos conduzidos tradicionalmente em espaldeira. O reconhecimento vale para vinhos finos tintos, brancos, rosados e espumantes, e exige que a produção respeite regras definidas em regulamento próprio.

O que o visitante encontra nas estâncias da fronteira
A visita ao vinhedo aqui não se parece com a da serra. As propriedades ficam dentro de estâncias de criação de gado, com galpões restaurados, campo aberto até o horizonte e almoço servido no mesmo ritmo de fazenda, quase sempre mediante agendamento prévio.
A rota criada pelos produtores conecta vinícolas de municípios vizinhos, e o próprio lançamento do roteiro aconteceu em Bagé. É um enoturismo jovem, com estrutura menor que a das regiões consagradas, mas com a vantagem da paisagem campeira e da baixa concentração de visitantes, situação parecida com a de outras cidades gaúchas que transformaram tradição em roteiro turístico.

O que ver na Rainha da Fronteira além das vinícolas
A cidade foi fundada em 17 de julho de 1811 e guarda um acervo histórico ligado às disputas de fronteira, conforme o portal de turismo do Governo do Rio Grande do Sul. Confira abaixo o que costuma organizar a visita:
- Museu Dom Diogo de Souza: acervo sobre a formação da cidade e as batalhas que marcaram a região de fronteira.
- Centro histórico: casarões e prédios públicos preservados, com fachadas do ciclo da pecuária.
- Semana Farroupilha: celebração tradicionalista com atividades campeiras e música nativista, uma das mais fortes do calendário local.
- Festa do Churrasco: evento que já entrou para o livro dos recordes pelo maior churrasco do mundo, segundo o portal estadual de turismo.
- Estâncias abertas à visitação: propriedades rurais que recebem visitantes para almoço campeiro e degustação.
Quem quer explorar a história e os costumes do Pampa Gaúcho vai curtir esse vídeo do canal Galileu Motorhome & Travel, com mais de 66 mil visualizações, onde Luiz e Claudinha visitam Bagé:
Como é o clima de Bagé ao longo do ano?
A cidade tem clima temperado, com verões quentes, invernos frios e geadas frequentes, condição que, no vinhedo, ajuda a preservar acidez e concentrar aroma nas uvas. Veja abaixo como o tempo se comporta em Bagé durante o ano:
Comportamento sazonal com base na climatologia do Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de programar a viagem.
Conheça a fronteira que virou região de vinho fino
Bagé mostra o que acontece quando uma região agrícola descobre um segundo uso para o próprio clima: o mesmo calor e a mesma seca que sempre serviram à pecuária passaram a render uvas com identidade própria, reconhecida por selo federal.
Você precisa cruzar o Pampa até a fronteira, almoçar em uma estância entre parreirais e campo aberto e provar um vinho que só existe por causa desse pedaço específico do Rio Grande do Sul.
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