Pedra gigante de 1.822 metros e a primeira colônia alemã do Espírito Santo: a cidade da serra que só deixa 150 pessoas entrarem por dia
A herança alemã continua presente na cultura, na arquitetura e nos costumes
Quem sobe a serra pela BR-262 saindo de Vitória troca o calor do litoral por ar frio em menos de uma hora. Aparecem fachadas em estilo enxaimel, placas com nomes alemães e, ao fundo, um bloco de rocha que muda de tom conforme a luz do dia. Domingos Martins, na região serrana do Espírito Santo, guarda a Pedra Azul e o marco inicial da imigração europeia no estado.
Como a primeira colônia alemã capixaba nasceu na serra?
Por um recrutamento feito do outro lado do Atlântico. Segundo o portal Descubra o Espírito Santo, mantido pelo governo estadual, a colonização começou em 1846, quando o Governo Imperial enviou representantes à Alemanha, em especial à região montanhosa do Hunsrück, para convencer famílias a emigrar para o Brasil.
Depois dos alemães vieram outros. A mesma fonte estadual registra a chegada de imigrantes italianos a partir de 1859, em número maior após 1875, fixados principalmente nas regiões de Aracê e Pedra Azul, além de grupos pomeranos. Essa mistura aparece hoje na gastronomia, na arquitetura, nas danças folclóricas e no artesanato do município.

Por que a visita à Pedra Azul precisa ser agendada?
Porque o número de visitantes por dia é limitado. Conforme o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), que administra o Parque Estadual da Pedra Azul, as visitas são marcadas exclusivamente pelo portal de agendamento do governo estadual, a entrada é gratuita e o limite diário é de 150 pessoas. O acesso às trilhas só é permitido até as 14 horas.
As regras são específicas e vale conferir antes de subir a serra. A mesma fonte informa que não é permitida a entrada de animais domésticos nem o uso de drones, que o visitante precisa preencher um termo de responsabilidade antes de acessar as trilhas ou a via de escalada, e que o parque não mantém cadastro de guias para a prática de escalada.

O que muda entre a trilha curta e a completa?
A distância e o acesso às piscinas naturais. De acordo com o Governo do Estado do Espírito Santo, o percurso parcial tem cerca de 1 km, leva de 40 a 60 minutos e chega à base da Pedra Azul e aos mirantes do Lagarto e do Forno Grande.
Já o percurso completo soma aproximadamente 3,5 km e exige de duas a três horas, incluindo todos os mirantes e as piscinas naturais, cavidades abertas na rocha pela ação da água. A mesma fonte oficial recomenda calçado fechado e aderente, roupa leve, protetor solar, água e lanche, já que as trilhas são autoguiadas e não há apoio no caminho.
Leia também: O município que abriga a maior rota de casas em estilo enxaimel fora da Alemanha
Quais atrações cabem em um fim de semana na cidade?
O centro histórico é pequeno e o restante se espalha por estradas de montanha com propriedades rurais abertas à visita. Confira abaixo os principais atrativos indicados pelo Descubra o Espírito Santo:
- Pedra Azul: o cartão-postal do estado, formação rochosa que muda de tonalidade ao longo do dia, com trilhas, mirantes e clima ameno.
- Parque Estadual da Pedra Azul: unidade estadual com trilhas autoguiadas, piscinas naturais e via de escalada de aderência até o topo.
- Roteiros de agroturismo: propriedades rurais que recebem visitantes para provar café, cachaça, geleias e produtos coloniais feitos na região.
- Centro histórico: casario em estilo enxaimel, artesanato e restaurantes que mantêm as receitas trazidas pelos imigrantes.
- Festivais culturais: calendário que celebra as tradições alemãs, italianas e pomeranas com música, dança e comida típica.
Quem procura clima de serra no Espírito Santo, vai curtir este vídeo do Rolê Família, com mais de 313 mil inscritos, que passa por Domingos Martins e Pedra Azul.
Como é o clima de Domingos Martins ao longo do ano?
A altitude em torno de 540 metros na sede, e bem maior no distrito de Pedra Azul, garante temperaturas mais baixas que as do litoral capixaba durante o ano inteiro. As chuvas se concentram no verão e caem bastante no meio do ano. Veja abaixo como o tempo se comporta em Domingos Martins durante o ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
A serra capixaba que guarda pedra, história e sotaque europeu
Domingos Martins reúne em poucos quilômetros o marco inicial da imigração europeia no Espírito Santo, um dos parques estaduais mais procurados do país e uma cultura que ainda se ouve nas ruas e se prova na mesa.
Você precisa subir a BR-262 e passar um fim de semana em Domingos Martins para ver a Pedra Azul trocar de cor enquanto o sol se move sobre a serra.
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