O município catarinense famoso pela rara prática de pesca artesanal feita em cooperação com botos selvagens
Pesca com botos em Laguna une pescadores e animais no litoral sul
A pesca com botos em Laguna chama a atenção pelo trabalho em equipe entre a galera da praia e os animais soltos no mar. Essa tradição do litoral de Santa Catarina garante o jantar das famílias e atrai curiosos para a beira da água o ano todo.
Como os botos ajudam o pessoal na beira da praia?
Os animais cercam os cardumes de tainha no fundo do canal e empurram os peixes direto para o raso. Na hora exata do ataque, o mamífero dá uma batida forte com a cabeça ou com o rabo na água para avisar que a rede pode ser jogada.
Esse salto serve como uma senha para os homens de plantão arremessarem as tarrafas na direção certa sem perder tempo. A biologia chama essa convivência entre espécies de mutualismo, onde todo mundo sai ganhando com comida farta no final do dia.

O que cada lado ganha nessa parceria no mar?
A união entre o homem e a natureza facilita a vida dos dois lados sem ninguém precisar machucar o parceiro de caça. Enquanto o pessoal garante o peixe grande na sacola, o cetáceo aproveita a confusão das redes para pegar as suas presas assustadas.
Abaixo você acompanha as vantagens dessa rotina no canal:
- Fartura de peixe para os moradores sem gastar dinheiro com barcos caros.
- Almoço fácil para o animal que pega o peixe atordoado pela malha.
- Proteção da espécie local com o carinho e cuidado da comunidade.
- Geração de renda com o movimento de visitantes pela orla.
Como o método artesanal se compara com a pesca comum?
O jeito tradicional de pegar peixe no canal muda bastante quando a gente compara com o trabalho dos barcos industriais. A presença dos animais deixa tudo mais certeiro e sem correria.
Repare nas diferenças de cada estilo de trabalho na praia:
Por que só alguns animais entram nessa jogada?
Nem todo cetáceo que nada pela região aprende o truque de empurrar o cardume para a areia grossa. Apenas cerca de 20 botos de uma população de 60 indivíduos fazem esse trabalho junto com o pessoal da praia.
Esse aprendizado passa de mãe para filho ao longo dos anos nas águas calmas da barra do canal. Os filhotes observam o comportamento das mães desde novos e repetem a tática quando ficam adultos.
Qual é a melhor época para ver esse show de perto?
Dá para acompanhar esse trabalho incrível o ano inteiro, mas o movimento pega fogo mesmo entre os meses de maio e julho. Esse é o período de corrida da tainha, quando milhares de peixes sobem o litoral atrás de águas mais frias.
Chegar perto das 8h garante pegar os melhores arremessos de rede sob a luz da manhã no molho central. Respeitar o espaço dos animais e manter a praia limpa garante que essa tradição continue viva por muitos anos no nosso litoral.
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