Nasceu de um acordo de guerra e acendeu o alto-forno em 1946: a cidade fluminense que abriga a maior usina siderúrgica da América Latina e o único zoológico público gratuito do interior
A siderurgia moldou a economia, a paisagem e o crescimento do município
Cidades industriais costumam ser lembradas apenas pelas chaminés, como se a fábrica ocupasse todo o espaço que sobraria para viver. No Vale do Paraíba fluminense, a lógica foi outra desde o começo: Volta Redonda foi desenhada em torno de uma usina, mas com bairros, praças e equipamentos públicos previstos no mesmo projeto. O resultado é uma cidade que sustenta o apelido de capital do aço brasileiro e ainda entrega lazer de graça a quem mora nela.
Por que uma curva de rio deu nome à capital do aço
O nome vem da geografia, não da indústria. Segundo a Prefeitura Municipal de Volta Redonda, o município é cortado pelo Rio Paraíba do Sul, cuja curva acentuada batizou o lugar, e abriga a maior usina siderúrgica da América Latina, origem do apelido Cidade do Aço.
A escolha do terreno teve motivo estratégico. A região ficava no meio do caminho entre Rio de Janeiro e São Paulo, com ferrovia, água em abundância e distância segura do litoral num momento de guerra mundial. O vale vinha de um ciclo cafeeiro em decadência, e a chegada da siderurgia inverteu por completo a economia local, que passou de alguns milhares de pessoas para um dos maiores contingentes operários do país.

O que a Usina Presidente Vargas produz até hoje
A planta principal da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) continua sendo o coração produtivo da cidade. Conforme registro do acervo da Biblioteca do IBGE, a Usina Presidente Vargas tem capacidade anual para 5 milhões de toneladas de aços planos, e o grupo emprega mais de 22 mil pessoas em nove estados, com operações também nos Estados Unidos, na Alemanha e em Portugal.
O aço saído dali sustentou obras que definiram o país no século XX. A produção começou em 1946, e o material fabricado no vale fluminense foi usado na construção de Brasília, dos metrôs do Rio e de São Paulo e da Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai, conforme levantamento publicado pela Revista Pesquisa Fapesp. É um percurso parecido com o de outros municípios do interior que exportam produção pesada, como a cidade que fabrica ônibus para mais de 140 países.

Onde a população encontra lazer sem pagar ingresso
A herança da cidade planejada aparece na quantidade de equipamentos públicos abertos ao morador. Confira abaixo os principais espaços gratuitos mantidos pelo município:
- Zoológico Municipal (Zoo-VR): instalado na Vila Santa Cecília, é o único zoológico público do interior fluminense que não cobra entrada, com recinto de imersão e visitas guiadas por estudantes de Biologia.
- Parque Aquático Municipal: às margens da Ilha São João, reúne piscina olímpica, infantil e de lazer em uma área de mais de 11 mil m², com acesso liberado mediante carteirinha.
- Pipódromo: espaço aberto dedicado a quem quer empinar pipa com segurança, longe da fiação urbana.
- Ilha São João: área verde às margens do rio, usada para caminhadas, feiras e encontros como o tradicional evento de veículos antigos.
O zoológico funciona ainda como espaço cultural, com anfiteatro que recebe apresentações infantis e visitas noturnas guiadas em parceria com o Sesc, segundo divulgação da Prefeitura de Volta Redonda.
Quem quer conhecer a Cidade do Aço vai curtir este vídeo do canal De fora em Juiz de Fora, com mais de 300 mil inscritos, onde Tati Marmon apresenta Volta Redonda.
Como é o clima de Volta Redonda durante o ano
O município fica a cerca de 390 metros de altitude, num vale cercado por serras, o que produz verões quentes e abafados e invernos secos com manhãs frias. A diferença de chuva entre as estações é acentuada, com meses de verão bem chuvosos e um inverno de poucos milímetros acumulados. Veja abaixo como o ano se comporta na Cidade do Aço:
Temperaturas aproximadas com base na climatologia do Climatempo. As condições variam de um ano para o outro por influência de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
Como chegar ao vale onde o aço brasileiro começou
O acesso principal é pela Rodovia Presidente Dutra, que liga as duas maiores cidades do país e corta a região. São aproximadamente 130 km até o Rio de Janeiro e cerca de 320 km até São Paulo, trajeto quase inteiramente em pista dupla.
Quem vem de avião costuma desembarcar no Rio e seguir de carro ou ônibus rodoviário, com linhas frequentes durante o dia. A cidade também funciona como base para conhecer o restante do Sul Fluminense, incluindo Barra Mansa e a serra da região.
Uma cidade que virou sinônimo de indústria nacional
Poucos lugares no Brasil carregam de forma tão direta a marca de uma decisão econômica: aqui, a usina veio primeiro e a cidade cresceu ao redor dela, com o desenho urbano pensado para abrigar quem trabalhava no aço. Décadas depois, o que sobrou dessa origem é uma estrutura pública ampla, num município médio que não depende do turismo para funcionar.
Você precisa conhecer Volta Redonda e ver de perto como um pedaço decisivo da industrialização brasileira ainda organiza o cotidiano de uma cidade inteira.
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