Essa cidade do interior fabrica ônibus que circulam em mais de 140 países dos cinco continentes
A força da indústria local atravessou fronteiras e ganhou o mundo
Um ônibus urbano parado em Nairóbi, um rodoviário cruzando os Andes e um micro-ônibus escolar no interior do Egito podem ter a mesma certidão de nascimento. Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, começou como colônia de imigrantes italianos que plantavam uva e virou a origem de carrocerias que rodam nos cinco continentes. A virada cabe em um galpão de esquina aberto em 1949.
Como uma oficina de 15 funcionários chegou a mais de 140 países?
Com a decisão de fabricar não o veículo inteiro, mas a peça mais complexa dele. Em 6 de agosto de 1949, oito sócios abriram a Nicola & Cia. Ltda. em um pavilhão do centro caxiense, com quinze funcionários, para produzir carrocerias de ônibus, segundo o acervo Memória Marcopolo. Carroceria é a parte onde ficam bancos, janelas, portas e bagageiros, montada sobre o chassi de outro fabricante, o que permite adaptar o mesmo veículo a regras e climas muito diferentes.
Aquela oficina virou a Marcopolo, hoje com fábricas nos cinco continentes e veículos rodando em mais de 140 países, conforme a sala de imprensa da companhia, que anunciou em outubro de 2025 uma parceria com a Volvo Buses para vender ônibus completos na França e na Itália. Parte da produção nem sai montada do Rio Grande do Sul: segue desmontada em conjuntos e ganha forma final perto do comprador, solução que reduz frete e alfândega.
Quem quer entender a trajetória das grandes empresas brasileiras, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Elementar, que conta com mais de 300 mil visualizações, onde a equipe do canal mostra a história, a inovação e o sucesso global da Marcopolo em Caxias do Sul:
Que reconhecimento a indústria caxiense recebeu recentemente?
O topo do próprio setor em escala nacional. A Marcopolo foi eleita a melhor empresa de Veículos e Autopeças do país na publicação TOP 30 Melhores Empresas do Brasil 2025, ranking da revista Veja Negócios em parceria com a agência de classificação de risco Austin Rating.
A metodologia ajuda a entender o peso do resultado, porque avalia três balanços anuais seguidos e mede porte e desempenho, com indicadores como receita líquida, patrimônio, lucro e endividamento, dentro de uma base de mais de 10 mil empresas. Não é prêmio de imagem: é leitura de balanço, e coloca uma companhia da serra gaúcha à frente de gigantes instaladas no ABC Paulista.

O que mais sai das fábricas dessa cidade da serra?
Bem mais do que ônibus. Segundo a Prefeitura de Caxias do Sul, o município partiu do cultivo da uva e do vinho para se tornar o segundo maior polo metalmecânico do Brasil, com indústrias que fabricam desde pequenas peças até caminhões. A semente foi a Metalúrgica Abramo Eberle, aberta ainda no fim do século XIX por imigrantes que traziam da Itália o ofício de ferreiro e funileiro.
Essa base explica por que a cidade sustenta a segunda maior população gaúcha, atrás apenas de Porto Alegre, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Confira abaixo os setores que sustentam esse conjunto industrial:
- Carrocerias de ônibus: urbanos, rodoviários e micro-ônibus, incluindo modelos elétricos e movidos a gás.
- Implementos rodoviários: carretas, reboques e autopeças que abastecem o transporte de carga nacional.
- Metalmecânico: ferramentas, máquinas e componentes fornecidos a montadoras de outros estados.
- Vinícola: cantinas herdadas da colônia, ainda ativas na zona rural do município.
Quem quer conhecer a cultura e os pontos turísticos da maior cidade da Serra Gaúcha, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 141 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra a história, as rotas coloniais e os atrativos de Caxias do Sul – Rio Grande do Sul:
Por que a uva continua batizando a maior festa da cidade?
Porque foi ela que sustentou as primeiras famílias antes de qualquer fábrica existir. A Festa Nacional da Uva acontece a cada dois anos e chegou a 2026 com o tema Fruto de um sonho imigrante, homenagem aos 150 anos da imigração italiana no estado.
A escala impressiona para uma celebração de origem rural. Conforme a Prefeitura de Caxias do Sul, a abertura da edição mais recente reuniu autoridades federais e estaduais no Parque de Eventos Mário Bernardino Ramos, área de mais de 359 mil m² que nos outros meses recebe feiras industriais. Uva e aço dividem o mesmo terreno, o que resume bem a cidade. É trajeto parecido ao de outra cidade brasileira que transformou fruta em negócio de alcance mundial, no sertão nordestino.

Como é o clima de Caxias do Sul ao longo do ano?
A 817 metros de altitude, a cidade tem quatro estações bem marcadas, geada frequente no inverno e chuva distribuída por todos os meses, sem estação seca definida. Veja abaixo o comportamento típico de cada período em Caxias do Sul:
Temperaturas aproximadas com base na climatologia do Climatempo. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
Uma cidade que exporta sem aparecer na etiqueta
Poucos passageiros do mundo sabem que o ônibus em que estão sentados carrega a assinatura discreta de um município do nordeste gaúcho. A herança que começou com camponeses do Vêneto virou engenharia de escala sem apagar o sotaque, o galeto e as cantinas de fim de semana.
Você precisa conhecer Caxias do Sul e ver de perto como parreiral e linha de montagem convivem no mesmo endereço, a pouco mais de duas horas da capital gaúcha.
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