Na Suíça, os pobres vivem em “favelas” que oferecem uma qualidade de vida muito superior à de muitas cidades do mundo inteiro
A “favela” suíça com qualidade de vida de primeiro mundo
No noroeste da Suíça, a cidade de Basileia bagunça qualquer ideia pré-concebida que se possa ter sobre o que é a pobreza nos grandes centros urbanos. Mesmo nas áreas que, volta e meia, são chamadas de “favelas” nas redes sociais, o básico funciona com um padrão de excelência que faria inveja a muitos bairros nobres espalhados pelo planeta.
O que se quer dizer com a palavra “favela” quando aplicada à realidade suíça
O termo “favela”, quando usado no contexto da Suíça, ganha um contorno que beira a ironia. Ele aparece muito mais como um exagero digital para descrever zonas onde a densidade populacional é alta e a estética das construções é mais utilitária, sem o charme dos tradicionais cartões-postais alpinos.
A diferença crucial entre um bairro rico e uma área operária em Basileia não está na ausência do Estado ou na precariedade dos serviços, mas sim no tamanho dos apartamentos e na simplicidade das linhas arquitetônicas. Em regiões como o bairro de Klybeck, o que se vê é um urbanismo que privilegia a eficiência de morar. Os prédios, de desenho moderno e despojado, concentram muita gente, mas entregam isolamento térmico de altíssima qualidade, água potável em todas as torneiras e passam por manutenções rigorosas, tudo bancado por políticas públicas de habitação que são consistentes e duradouras.

O dia a dia nos bairros onde o custo de vida é menor em Basileia
A vida em comunidade nesses bairros é fortemente influenciada por uma vibrante mistura de imigrantes que chegaram de lugares como Turquia, os Bálcãs, Ásia e América Latina. Essa diversidade injeta uma energia muito particular nas ruas, criando um contraste evidente com o sossego que impera nos bairros mais tradicionais e de população mais homogênea. Ali, o comércio étnico prospera, as barbearias estão sempre cheias e a interação entre as pessoas é uma constante.
Para muitos, a decisão de morar nessas áreas é uma jogada estratégica para conseguir juntar dinheiro em um dos países mais caros do mundo. Um trabalhador que recebe um salário na faixa dos 4 mil francos suíços não só dá conta de pagar todas as suas despesas como ainda consegue ter acesso a tecnologia, lazer e a uma alimentação de excelente qualidade. Ele desfruta de um padrão de vida material que seria simplesmente inalcançável para quem recebesse o mesmo valor em uma infinidade de outros países.
Quem tem curiosidade sobre a vida no exterior, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Lima Experience, que conta com mais de 974 mil visualizações, onde Lima mostra a realidade de como vive um pobre em Basel, na Suíça:
As vantagens de se estar na localização geográfica de Basileia
O lugar onde Basileia está fincada, bem no encontro das fronteiras com a Alemanha e a França, oferece uma vantagem econômica que é única para quem vive ali. Essa posição no mapa cria um verdadeiro “turismo de compras” que acontece diariamente, permitindo que as famílias consigam reduzir de forma significativa o seu custo de vida simplesmente atravessando a fronteira para fazer as compras do mês em euros, tirando proveito da diferença cambial que lhes é favorável.
Esse manejo inteligente do orçamento doméstico faz com que a renda que sobra possa ser direcionada para itens como viagens e bens de consumo que duram mais. Dentro dessa lógica, não é nada estranho ver carros mais simples estacionados nas ruas desses bairros, não como um símbolo de risco, mas como uma ferramenta prática de deslocamento em uma cidade que ostenta índices de criminalidade baixíssimos para os padrões globais.

As peculiaridades de como a cidade é planejada nos arredores suíços
Explorar a chamada “periferia” suíça é ter acesso a um lado da cidade que é menos idealizado, mas infinitamente mais humano, onde a integração social se manifesta nas pequenas coisas do cotidiano. Ao contrário do que se poderia supor, a habitação social por ali não é sinônimo de descaso por parte do poder público. Os conjuntos habitacionais que são destinados a refugiados e a trabalhadores seguem protocolos rígidos de limpeza e de conservação, o que garante um padrão básico de dignidade.
Por que as áreas menos favorecidas da Suíça servem de exemplo para o resto do mundo
A experiência que se vive em Basileia deixa uma lição poderosa: a diferença de renda entre as pessoas não precisa, obrigatoriamente, se traduzir em miséria e exclusão social, desde que existam políticas públicas que estruturem a base de tudo e um compromisso que seja inegociável com a dignidade de cada ser humano.
A cidade é a prova de que se pode oferecer uma infraestrutura de país desenvolvido para todas as camadas da sociedade, o que cria um ambiente multicultural que é acolhedor até mesmo para brasileiros que estão em fase de adaptação. E, de quebra, ainda abre caminhos reais para que alguém possa ascender financeiramente em um cenário de estabilidade econômica.
Conhecer essa face mais realista da Suíça é essencial para se compreender o que, de fato, significa um desenvolvimento urbano que inclui a todos e uma qualidade de vida que é para valer.
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