Na mesma lista da ONU que três vilas da Itália: a cidade gaúcha de 48 casarões tombados que superou mais de 270 candidaturas de 65 países
Casarões de madeira preservam marcas importantes da imigração italiana
Para um vilarejo entrar no radar do turismo mundial, normalmente precisa de praia famosa ou paisagem de cartão-postal. Antônio Prado, na Serra Gaúcha, chegou lá com outra coisa: um centro histórico de madeira e pedra erguido por imigrantes italianos e preservado com tanto cuidado que hoje divide uma lista da ONU com vilas da própria Itália.
Como Antônio Prado entrou na lista da ONU ao lado de vilas italianas?
A cidade foi uma das 52 vilas reconhecidas em 2025 pelo programa Best Tourism Villages, da ONU Turismo. Na quinta edição da iniciativa, os escolhidos saíram de mais de 270 candidaturas enviadas por 65 países, e a lista final reuniu vilarejos de 29 nações, anunciados em cerimônia em Huzhou, na China.
Antônio Prado foi a única representante brasileira. Na mesma relação aparecem três vilas italianas, Arquà Petrarca, Asolo e Bellano, o que coloca a herança trazida pelos imigrantes lado a lado com a terra de origem. As candidaturas são avaliadas por um conselho independente em nove critérios, que vão da conservação cultural à sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Alguns números ajudam a medir o tamanho do reconhecimento e do patrimônio da cidade serrana:
Por que os casarões de Antônio Prado são únicos no Brasil?
Porque formam o maior conjunto urbano tombado da imigração italiana no país. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), são 48 casarões centenários de madeira e pedra reconhecidos como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na década de 1980.
A cidade nasceu em 1886 como a última colônia italiana criada pelo governo imperial na serra gaúcha. O relativo isolamento das décadas seguintes ajudou a manter de pé as construções de dois pavimentos, em madeira e pedra, que hoje se concentram ao redor da Praça Garibaldi. A herança também sobrevive na fala: o talian, língua nascida do contato entre falares do norte da Itália e o português, ainda circula entre os moradores.

Quem garante que os casarões continuem de pé?
A conservação envolve proprietários, Iphan e Justiça. Desde 2005, o MPF instaurou 19 inquéritos civis e procedimentos sobre o estado dos imóveis tombados, e 12 deles viraram ações civis públicas para obrigar a execução de obras emergenciais e restauros.
Uma das mudanças mais visíveis veio em abril de 2024, quando foi concluído o enterramento das redes elétrica e de telefonia no entorno da Praça Garibaldi, com retirada de postes e cabos aéreos. O órgão também acompanha a regularização contra incêndios de 30 imóveis tombados de uso não residencial e uma ação que condenou o Iphan a restaurar a sede da Sociedade Pradense de Mútuo Socorro.
O que fazer em Antônio Prado?
O roteiro principal se faz a pé, pelas ruas do centro histórico, em uma cidade de pouco mais de 13 mil habitantes. Fora do núcleo urbano, estradas rurais levam a propriedades coloniais e mirantes sobre o vale do Rio das Antas.
Passeios pela cidade mais italiana da serra
Entre casarões, igrejas e mesa farta, alguns programas resumem a experiência:
- Centro Histórico: caminhada pelos casarões tombados, com fachadas de madeira e pedra e comércio tradicional em parte dos imóveis.
- Praça Garibaldi: coração do núcleo histórico, agora sem fios aparentes, ideal para fotografar o conjunto arquitetônico.
- Casa da Neni: casarão de madeira que abriga o museu municipal e ajuda a contar a rotina das famílias de imigrantes.
- Mirantes do Rio das Antas: pontos altos com vista para o vale profundo que marca a paisagem da região.
- Gastronomia colonial: massas e receitas herdadas dos imigrantes, servidas em restaurantes familiares da cidade e do interior.
A herança italiana de Antônio Prado também aparece no cotidiano de seus moradores. O canal Boa Sorte Viajante apresenta essa ligação entre a história da imigração e a vida na cidade:
Como é o clima de Antônio Prado ao longo do ano?
A cidade tem clima de serra, com verões amenos e invernos frios, quando as mínimas médias ficam abaixo de 10°C. A chuva é bem distribuída ao longo do ano, e outubro aparece como o mês mais chuvoso.
Antônio Prado em cada estação
Cada período do ano traz temperaturas e volumes de chuva bem diferentes:
Faixas baseadas nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do Climatempo para Antônio Prado.
Uma pequena Itália que o mundo passou a enxergar
Antônio Prado guarda em suas ruas a história de famílias que atravessaram o oceano e reconstruíram a vida no alto da serra. O reconhecimento internacional chegou porque esse passado não virou cenário: continua habitado, falado e servido à mesa.
Você precisa caminhar pela Praça Garibaldi e entender por que uma cidade gaúcha conseguiu dividir espaço com vilas da Itália na lista da ONU.
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