Metade Alemanha, metade Japão: a cidade brasileira que une duas culturas em um só lugar
A maior colônia japonesa do RS com o maior conjunto de casas alemãs do Brasil
Na encosta da Serra Gaúcha, Ivoti abriga em poucos quilômetros dois pedaços de mundo raramente vistos juntos. A cidade guarda o maior aglomerado de casas em estilo enxaimel do Brasil e a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul, tudo a menos de uma hora da capital.
O único endereço do país onde Alemanha e Japão dividem calçada
Ivoti nasceu em 1826, quando famílias vindas da região alemã do Hunsrück abriram picada no vale do Arroio Feitoria. Cento e quarenta anos depois, em 1966 e 1967, chegaram 26 famílias japonesas que se instalaram no Vale das Palmeiras.
Os japoneses trouxeram técnicas de floricultura e horticultura que transformaram a paisagem. Foi por causa deles que a cidade ganhou o apelido de Cidade das Flores, hoje registrado pela Rota Romântica RS, roteiro turístico inspirado na versão original alemã.

Como é morar entre o dialeto alemão e a Feira da Colônia Japonesa
Morar em Ivoti é ouvir alemão nas conversas mais antigas e comprar hortaliças frescas no domingo com produtores nikkei. A cidade tem cerca de 23 mil habitantes, ruas floridas, jardins bem cuidados e um ritmo de interior que sobrevive ao lado da Região Metropolitana.
O dialeto Hunsrückisch ainda ecoa em famílias tradicionais, e o calendário local mistura Kolonistenfest em julho, Feira de Flores na primavera e Feira da Colônia Japonesa duas vezes por mês. A rotina combina padaria com rosca e nata, café colonial, feira de sushi e temaki e passeios de bicicleta pela Rota Enxaimel.

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O maior conjunto de casas enxaimel do Brasil
O Núcleo de Casas Enxaimel da Feitoria Nova reúne sete construções erguidas entre 1826 e o início do século 20, na técnica original trazida pelos imigrantes: estrutura de madeira aparente preenchida com tijolo ou barro. Segundo levantamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é o assentamento mais original da colonização alemã no estado.
Ao lado do núcleo, a Ponte do Imperador foi construída entre 1857 e 1864 com 148 metros de comprimento em pedra grés empilhada, financiada por Dom Pedro II com 30 contos de réis. Foi tombada pelo IPHAN em 1986 e é um dos poucos monumentos do país onde o cimento aparece apenas nas colunas dentro d’água.

O que fazer em Ivoti em um fim de semana?
A cidade cabe em um dia, mas rende dois. Um lado guarda a herança germânica em pedra e madeira, o outro traz jardins e sabores nipônicos.
- Núcleo de Casas Enxaimel: sete casarões do século 19 abertos à visitação, com Museu Cláudio Oscar Becker, Casa do Artesão e Casa Amarela, restaurada com apoio do Consulado Alemão em 2007.
- Ponte do Imperador: 148 metros de arcos em pedra grés sobre o Arroio Feitoria, tombada pelo IPHAN em 1986 e um dos cenários mais fotografados da Serra.
- Memorial da Colônia Japonesa: prédio de 914 m² em arquitetura nipônica, com acervo das 26 famílias pioneiras e Feira da Colônia dois domingos por mês.
- Belvedere: mirante ligado ao centro por escadaria de 176 degraus, com vista panorâmica do vale.
- Cascata São Miguel: queda d’água em cenário de mata preservada, acessível por trilha curta.
- Rota Enxaimel: cinco itinerários autoguiados de 5 a 20 km que passam por casas históricas, propriedades rurais e produtores locais.
Quem busca conhecer a cultura alemã e japonesa no sul do país, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 388 mil visualizações, onde Diogo Elzinga mostra as belezas e o núcleo de casas em enxaimel de Ivoti:
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Como chegar em Ivoti
A cidade fica a 55 km de Porto Alegre pela BR-116, cerca de 1 hora de carro. O Aeroporto Salgado Filho é o mais próximo, a 46 km. Quem segue para Gramado pode passar por dentro de Ivoti até Picada Café, encurtando o trajeto e fugindo do trânsito da rodovia.
Conheça a cidade que une Alemanha e Japão
Ivoti guarda em poucos quilômetros uma combinação difícil de repetir no Brasil: casas enxaimel do século 19, ponte imperial em pedra, jardins japoneses e um calendário que mistura Kolonistenfest com feira de sushi. Poucos destinos gaúchos conseguem essa densidade cultural em tão pouco espaço.
Você precisa conhecer Ivoti e sentir o que acontece quando duas colônias tão distantes decidem florescer no mesmo vale.
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